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sábado, 28 de fevereiro de 2009

Liberdade de expressão submissa.

Uma vez decidida a trilhar voluntariamente um caminho de submissão uma mulher deve procurar aperfeiçoar-se a partir dos referenciais de seu Dono. Esse processo inclui aprendizado e adestramento, palavras que sempre usamos. A riqueza da interação da submissa é que vai gerar o resultado que se pretende "ensinar" ou "adestrar". Naturalmente não é apenas com seu Dono que a submissa aprende, nessa jornada. Ela deveria ler e fazer alguns amigos pra ter percepções referenciais de boas relações de submissão. Pra crescer na sua submissão. Pra entender mais e servir melhor, inclusive.
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O problema é que cada relação é de um jeito e cada pessoa é única, processos ricos e essa coisa toda. Mas gostaria de levantar como reflexão o recorte "Doms que não permitem que suas submissas tenham contato externo ou interação com discussões de opinião".
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Vejo muitas vezes confundida nossa autoridade Dominadora com supressão do pensamento e cassassão do direito da submissa a ser entendida como pessoa que também está em uma jornada de busca voluntária por felicidade. Ou seja, como um ser humano que tem suas demandas, mesmo que uma delas seja servir. Ou ainda; ela não se anula como ser humano por ter a demanda de servidão voluntária dentro de si.
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Durante o ano em que foi minha a natasha conversava e opinava no meio BDSMer livremente. Os resultados que colhi disso sempre foram os melhores possíveis e sempre tive gratas surpresas e grande orgulho do seu comportamento. Ela cresceu como submissa nessas interações, fez amizades, discutiu. E nunca me envergonhou ou me diminuiu em nada por isso. É evidente que respeito a maneira como os outros vivem e o tipo de limitações que impõem, dentro da negociação. Estou apenas dividindo que sempre foi a política que adotei e sempre foi ótimo.
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Isso é apenas um depoimento de que minha severidade nunca foi alterada pela suposta liberalidade de que minha sub tinha liberdade de dizer o que pensava abertamente e sem censura.
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Se um dia ela se comportasse mal eu lhe daria justo, merecido e justificado castigo. E ela ia entender porque é uma boa menina. Mas nunca aconteceu. Com isso eu tive ainda mais orgulho da minha obediente cadela. Pretendo ter orgulho de ver uma submissa minha discutindo abertamente com inteligência uma série de questões em comunidades, como prevejo ser bastante provável que aconteça. A sub é o espelho do Dono, costumamos dizer. Gosto que uma submissa saiba que é depositária da confiança de que não me envergonhará. Que ela tenha essa responsabilidade. A liberdade e o peso dessa liberdade.
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Você pode brincar de afogar sua putinha na privada da sua casa, mas você não pode deixar de entendê-la como um ser com uma busca legítima. O que há é uma relação entre dois seres humanos e entender que o outro tem demandas, expressões e expectativas é ser realista e justo. Isto posto o pau come.
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E se se comportar mal leva castigo brabo.
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Particularmente entendo como mau comportamento ser desatenta em relação ao empoderamento do Dono em qualquer interação com o meio, por exemplo. Deve falar livremente sem causar vergonha ao Dono, ser educada e gentil em contraponto a submissas que arrumam encrenca e fofocam. Manter um comportamento geral virtuoso, honrado, dirigido ao Dono no sentimento e intenção verdadeiras. Se eu tiver isto tudo, que sentido faria tentar controlar as interações e percepções que a submissa tem do meio? O direito do castigo é ainda a cereja do bolo das minhas garantias. E das suas, como Dom.
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Sendo assim é ótimo que ela interaja e opine, aprendendo e desenvolvendo sua submissão. Seu auto-conhecimento, sua busca de referenciais que a ajudem a servir melhor e melhor. É um orgulho ser servido fielmente por uma fêmea que seja exuberante na sua inteligência e ainda assim um brinquedinho de foder na sua mão mais forte.
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Isto é apenas para fazer pensar em relação a limitação de opiniões fora de sua relação bilateral com o Dono a que vejo honrados Doms submetendo suas peças. Outro bom argumento pra fazer pensar é senso comunitário: com a participação restringida todo meio BDSMer se empobrece. E o ponto é que rigidez proposta na relação de transferência de poder não é afetada porque você deixa sua sub participar e aprender mais. Pra te servir melhor.
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A restrição do direito da fala é um poderoso recurso de nossas práticas sexuais. A gente se diverte amordaçando uma mocinha, for sure. Mas isso tem mesmo a ver com fazer lobotomia em nossas submissas?
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Isso não envia um sinal a elas de que não confiamos de que são capazes de nos surpreender ou orgulhar com um comportamento exemplar?
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As melhores demonstrações de submissão que recebo são as voluntárias, que partem de alguma iniciativa livre da submissa. Esse é um bom exemplo de como liberdade concedida reforça a autoridade inicial concessora da liberdade.
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Deixem as borboletas voarem, rapaziada. Se fizeram um bom trabalho vocês vão ter orgulho do resultado.
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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

É Capuzinho Vermelho. Ela não usa chapéu.

Chapeuzinho Vermelho: Uma linguagem sedutora do jogo
Calina M. Fujimura (UERJ)

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"Este trabalho tem como objetivo estabelecer uma analogia entre a construção da narrativa do conto “Chapeuzinho Vermelho” e o jogo, nas versões dos camponeses, de Charles Perrault e dos Irmãos Grimm para o conto. Tal estudo, primeiramente, ganhará forma por meio de possíveis relações a serem traçadas entre o que é caracterizador à prática lúdica e ao movimento sedutor das personagens, visíveis no jogo simbólico e no grande embate que, no texto, tomará a forma de um diálogo.
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Conforme a noção de símbolo [1], estes se constituem em imagens pictóricas ou em palavras com a capacidade de substituir idéias, um sentimento ou um pensamento. Com o intuito de basear o estudo simbólico do conto “Chapeuzinho Vermelho”, será utilizado o Dicionário de símbolos, juntamente com as interpretações psicanalíticas de Erich Fromm e Bruno Bettelheim, para o conto em questão. (...)
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*[1] De acordo com o estudo de Jung sobre as raízes da simbologia presente nos contos de fadas e mitos, Nelly Novaes Coelho, em O conto de fadas, refere-se à existência de um “fundo psíquico comum e inconsciente” gerador de arquétipos, os quais dão origem a “impulsos psíquicos comuns a todos os homens”, ou a “imagens” capazes de tomar a forma semelhante de “emoções, fantasias, medos etc.” criadas por “fenômenos da natureza ou por experiências existenciais decisivas ( com a mãe, com as relações homem-mulher, com o confronto de forças desiguais ou injustiça etc.)”. (COELHO, 2003:116)*
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Nas três versões estudadas pode ser vista a figura do Lobo como metáfora do homem sedutor, de forma velada ou direta. Porém, o que de imediato não se pode perceber é o conteúdo simbólico contido em tal personagem. Recorrendo ao Dicionário de símbolos, diversos significados do símbolo “lobo” são encontrados. No entanto, um chama atenção para o dado contexto sedutor – o “lobo” como um símbolo devorador. O “lobo”, a partir desta interpretação, pode ser comparado a Cronos, Deus grego que devorava seus filhos. Cronos, assim, passa a ser confundido com Chronos – o tempo – mas um tempo que devora a juventude de homens e objetos. Fromm, em seu estudo A linguagem esquecida, ressalta a imagem devoradora do ato sexual tal qual Cronos devorava seus filhos e o tempo à vida, a relação sexual é encarada como o devorar da fêmea pelo macho. E é desta característica devoradora que se poderá compreender o significado simbólico do embate entre Chapeuzinho Vermelho e o Lobo.
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Relatada sua possível simbologia, pode-se agora entender quem é este jogador que deseja devorar. O Lobo de “Chapeuzinho Vermelho” é um jogador que não dá pistas das suas jogadas, como faz Chapeuzinho, ao contrário, ele as esconde atrás de sua falsa cordialidade. O Lobo pode ser representado pelo jogador trapaceador visto no texto de Duflo, malicioso, ele é o ator que fala e seduz detrás da máscara. Estas características do perfil do jogador ficam claras nas passagens em que o Lobo procura tirar vantagem, seja no caminho que leva à casa da avó, por suas palavras sedutoras que a convidam a deixar de ser tão séria, ou ao se disfarçar de avó para enganar Chapeuzinho.
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Se este jogador se oculta atrás da imagem de um Lobo cortês, porém faminto, o seu prato principal constará, justamente, da “inocente” menina, conhecida nas versões de Charles Perrault e na dos Irmãos Grimm como Chapeuzinho Vermelho. Perrault é quem dá à versão dos camponeses este nome à menina que passa a ser também título desta história. Este insere a figura do capuz vermelho que origina o nome “Chapeuzinho Vermelho” tão familiar aos leitores, e que torna mais sugestivas as intenções da menina. Nome que os Grimm mantém em sua narrativa, com um ligeiro acréscimo do chapéu ser de veludo.
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O capuz vermelho que acompanha a menina nas versões de Perrault e na dos Grimm, surge como símbolo da cor do sangue, da menstruação, cor da alma, da libido e do coração. A partir disto, tem-se a visão da relação simbólica entre o Lobo e Chapeuzinho. Ao ser observada a estreita ligação entre “lobo” e Chronos, pode-se entender que talvez este Lobo do conto seja o tempo devorador a destruir a fase menina de Chapeuzinho, já que nela se desperta a sua nova condição marcada pela menstruação e o desabrochar da libido; a juventude e os desejos amorosos passam a envolvê-la nesta transformação. Para Fromm, o simbolismo do capuz vermelho é muito sugestivo como observado em suas palavras: “O ‘chapeuzinho vermelho de veludo’ é um símbolo de menstruação. A menina de cujas aventuras nos falam tornou-se adulta e vê-se agora defrontada com o problema do sexo.” (FROMM, 1973: 175)
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Neste contexto do capuz vermelho, Bruno Bettelheim traz uma visão sobre a função da avó de Chapeuzinho, que à primeira vista, aparece sem muita importância dentro da narrativa. Para Bettelheim, a avó de Chapeuzinho transmite de forma inconsciente todo o seu conhecimento e experiência sexual na forma do capuz vermelho dado por ela, pois a cor deste, revela como significado simbólico oculto a pulsão dos impulsos sexuais presentes no ser humano. Como diz Bettelheim: (...) é fatal para a jovem a mulher mais velha abdicar de seus próprios atrativos para os homens e transferi-los para a filha, dando-lhe uma capa vermelha tão atraente.
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Em “Chapeuzinho Vermelho”, tanto no título como no nome da menina, enfatiza-se a cor vermelha, que ela usa declaradamente. O vermelho é a cor que significa as emoções violentas, incluindo as sexuais. O capuz de veludo vermelho que a avó dá para Chapeuzinho pode então ser encarado como o símbolo de uma transferência prematura da atração sexual (...). (BETTELHEIM, 2004: 209)
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Na versão dos camponeses a questão do capuz vermelho não é citada, encontra-se apenas a figura de uma menina que deixa sua casa para encontrar a avó. Então como a transferência da sexualidade é feita nesta história? Ao que tudo indica é também através da avó. Como o Lobo ao chegar à casa da avó não a devora e sim a mata, despejando seu sangue em uma garrafa e cortando seu corpo em fatias, quando Chapeuzinho finalmente chega ao seu destino já encontra o Lobo disfarçado de sua avó, recomendando que ela se servisse da carne e do vinho que estavam na copa. Servindo-se da carne e do vinho, um gato lá presente sentencia: “Comer da carne e beber do sangue de sua avó!” (DARNTON, 2001: 21e 22)
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Partindo do significado simbólico do gato como animal que carrega a sagacidade, engenhosidade e portador do dom da clarividência, tem-se adiantado o futuro de Chapeuzinho, nas palavras do gato, como “menina perdida”. Comendo as partes do corpo (a carne) e bebendo do sangue (o vinho) da avó, os símbolos ocultos de transferência de sexualidade passam a conotar a fragilidade da carne perante o pecado, dentre eles o impulso sexual incontrolável, e se vê no vinho um símbolo do conhecimento e de iniciação. Assim o ato canibal de Chapeuzinho é entendido como o tomar do conhecimento da avó, para iniciação sexual. Não se tem, desta forma, a passagem da sexualidade por meio do capuz vermelho, mas se pode tentar encontrá-la de forma encoberta nos seus símbolos.
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Para finalmente descobrir-se o perfil desta jogadora, deve-se primeiro observar as pistas deixadas por Chapeuzinho a fim de se entender o jogo velado desta “inocente” jogadora.
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Nas versões de Perrault e na dos Irmãos Grimm, Chapeuzinho ao indicar o caminho para casa de sua avó, praticamente se entrega ao Lobo. O Lobo que se apresenta na forma de um jogador astuto, vale-se das suas artimanhas para tomar o caminho mais curto ou adquirir certa vantagem na distração de Chapeuzinho. Será neste caminhar pela “estrada afora” que esta irá dar as pistas que se reunirão ao capuz vermelho para formar a grande interpretação simbólica do prenúncio do final deste jogo.
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Se a sexualidade é passada pela avó à Chapeuzinho através do capuz vermelho, a presença do desejo de deixar-se envolver por esse “lobo” pode também ser vista em alguns signos espalhados pelo breve período de distração pelo qual passa a personagem. Em Perrault, Chapeuzinho distrai-se colhendo as avelãs no bosque, símbolo da fertilidade e da luxúria, correndo atrás de borboletas, símbolo de metamorfose, e colhendo flores, símbolo da passividade. Conhecidos os símbolos, o entendimento deste percurso de passividade pode ser compreendido.
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O movimento passivo do jogar de Chapeuzinho só se mostra ao se perceber que ela se deixa seduzir pelas palavras do Lobo, tomando o caminho mais longo até à casa da avó por sugestão do Lobo. Suas intenções surgem ocultas detrás de símbolos como as avelãs que passam a reiterar a idéia do vermelho menstruação como sinal biológico de fertilidade, é a menina transformando-se em mulher em um processo de metamorfose, tal qual sofrem as borboletas.
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A mesma compreensão simbólica pode ser encontrada na história dos Grimm, em que este Lobo malicioso a convida a deixar de ser tão séria, e que Chapeuzinho, de maneira semelhante, aceita a proposta sem se lembrar da advertência dada por sua mãe, na qual pedia que Chapeuzinho andasse direito pelo caminho para não tropeçar e, deste modo, não cair quebrando a garrafa de vinho que levava para sua avó.
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Para Fromm, a advertência consiste em alertar a menina da possível perda de sua pureza, ao passo que quebrando a garrafa (símbolo da virgindade), e se desviando do caminho, Chapeuzinho poderia assim descobrir o que realmente há nos “cantos”, que não deveria ser revelado.
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Duflo, em seu trabalho, descreve a freqüência com que o jogo era praticado, referia-se a “uma sociedade do jogo”, em que este era muito comum apesar das proibições. No entanto, como diz Duflo “todo lugar onde o jogo é proibido, essa proibição é transgredida” (DUFLO, 1999: 47), consistindo em um instigador e gerador de um aumento no prazer dos jogadores, tal qual Chapeuzinho que burla a advertência dada e as regras de menina pura para ir ao encontro do Lobo. Mesmo tendo consciência do dever de visitar sua avó doente, Chapeuzinho aceita veladamente o jogo da figura sedutora masculina, para aos poucos deixar ser devorada por meio de uma simbologia que sussurra o aflorar do desejo sexual. Ter-se-á, desta forma, o grande embate agônico entre estes jogadores, que em um jogo de perguntas e respostas ditam o final desta partida.
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De acordo com Iser, em o “Jogo do texto”, tem-se a adoção do sentido figurativo do significante em detrimento do sentido real deste, com o intuito de gerar a característica ficcional do texto, o como se intencionando dizer o que foi dito. “Em Chapeuzinho Vermelho”, fica claro o jogo com a palavra a fim de fazê-la ter um significado primeiro superficial, no qual, no caso do Lobo, pode remeter, por exemplo, a uma perseguição, a uma caça, um animal atrás de sua presa – Chapeuzinho. Este Lobo, assim como os seus outros da selva, antes, rondam sua vítima, armam o seu bote para apanhá-la desprevenida, e cruelmente conseguem devorar rapidamente sua refeição. Mas um Lobo que se veste de avó, um Lobo conversando com Chapeuzinho, algo está estranho.
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Ao longo de todas as narrativas do conto, o jogo com o “significante fraturado”, ao qual se refere Iser, toma forma na figura do Lobo. O protótipo do Lobo é interessante à história por ele ser um devorador da natureza, um elemento conhecido dentro da vida dos camponeses da França do século XVIII. Como diz Iser: “O significante, portanto, denota algo mas, ao mesmo tempo, nega seu uso denotativo, sem que abandone o que designava na primeira instância”. (ISER, 1979: 110), assim como nas três versões trabalhadas, a dualidade do Lobo como lobo e deste como homem é de suma importância para a aproximação do homem com seu lado sexual “devorador” e “selvagem”. Como bem ressalta Vilém Flusser, em Da religiosidade, “(...) embora tenham os lenhadores exterminado o lobo, no curso dos últimos dez mil anos, nada tenha perdido o Lobo do seu terror primitivo” (FLUSSER, 2002: 165), de animal predador e da imagem sedutora apresentada ao longo do texto.
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Trilhando as pistas simbólicas deixadas por Chapeuzinho durante o seu jogo, o momento do duelo final é chegado; Lobo e Chapeuzinho encontram-se juntos em um mesmo tabuleiro, com táticas diferentes, mas com o fim já esperado.
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Em meio ao espanto, a “inocente” menina joga com suas constatações interessadas a respeito das diferenças que avista no corpo desta avó-lobo, no qual orelhas, olhos, mãos e boca se tornam tão grandes, e por fim vão moldando a forma de um corpo masculino bem mais imponente que o frágil porte da avó, aproximando, desta forma, as características do lobo as do homem. A versão dos camponeses traz além deste breve diálogo de reconhecimento do corpo masculino, uma prévia do que está por acontecer. Antes deste grande embate Chapeuzinho questiona ao Lobo o destino de suas roupas, e ao longo deste processo, o Lobo repete a mesma sentença: “– Jogue no fogo. Você não vai precisar mais dela.” (DARNTON, 2001: 21 e 22). O fogo como símbolo de iniciação, leva o leitor a entender o jogo do desejo masculino e a possível conseqüência das insinuações de Chapeuzinho.
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Assim, do lado inverso, o Lobo responde ao diálogo travado de uma maneira breve, seguindo os passos de sua oponente, e depois de respondida a finalidade daquela boca tão grande, não se tem mais respostas, pois neste momento, Chapeuzinho já tinha sido devorada. Em um diálogo que no nível do significante este denota a suposta morte de Chapeuzinho ao ser devorada pelo Lobo, dentro da idéia de “significante fraturado”, de Iser, este passa a carregar a concepção figurada do ato sexual.
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Dentro do diálogo travado entre Chapeuzinho e o Lobo, agon surge marcada fortemente como característica desta narrativa que estabelece sua moral através do castigo que Chapeuzinho sofre ao se descuidar “saindo do caminho” e sendo assim devorada. Segundo Iser, agon consiste em uma estratégia de jogo na qual o texto é centrado em normas e valores conflitivos, sendo que este debate busca envolver “uma decisão a ser tomada pelo leitor em relação a estes valores contrários, que se mostram internamente em colisão” (ISER, 1979: 113). O conflito entre norma e desejo aparecem como forma de reflexão ao leitor em “Chapeuzinho Vermelho”, a moral de não se desviar do caminho às meninas é clara no texto, assim como a punição de Chapeuzinho por sua escolha é dada quando o Lobo a devora, é um processo em que o leitor é levado a questionar-se, automaticamente, a respeito de suas decisões impulsivas e das ordens.
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A atração pela figura masculina e a curiosidade em conhecê-la impelem Chapeuzinho a aceitar a partida proposta pelo Lobo, mesmo sabendo que sua derrota seria necessária para sua vitória. O Lobo a devorou jogando de acordo com as cartas que ao longo do texto por ela foram dadas. O diálogo que antecede o final apenas representa o ápice destes elementos simbólicos que se sucederam na história, realmente, vê-se que o fim estava mesmo no começo, como disse Beckett. Pode-se dizer que tanto Chapeuzinho como o Lobo venceram a partida: uma foi devorada, tal qual tinha sugerido desejar, e o outro devorou, como ditava sua “fome”. Empatou."
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Moral da história: O caçador é a figura da culpa cristã. Além de ser crime ambiental atirar em lobos.
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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Ter vergonha da Dominação Masculina?


É sobre des-politização do sexo. E politização da discussão dos direitos.
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Vou tentar dar um exemplo perigoso. Quero que se lembrem que eu realmente faço a maior defesa das minorias, que estou do lado dos oprimidos, do ponto de vista da escolha política.
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Imagine uma mulher liberta, cabeça aberta e feliz, defensora dos direitos das minorias, talvez até uma militante.
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Só que daí ela (que não tem culpa de sua sexualidade; não escolheu); morre de tesão pela idéia do "negro rude". Ela gozando, como naquele filme, dizendo: Me fode, negro; me fode negro.
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Ela deveria se sentir mal? Ela não escolheu, mas a mera menção da idéia a desperta sexualmente e ela fica louca. O que fazer com uma contradição dessas?
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Não é claro que a tara dela se baseia em racismo, na idéia escrota de que negros são máquinas de sexo? De que são rudes, braçais, pouco educados?
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Sabemos como caras libertários que isso tudo é produto de uma sacanagem histórica contra os negros, que são oprimidos e sacaneados por ricos brancos por toda a história (e ainda hoje, chacinados em favelas, maioria carcerária, renda menor, o racismo tá aí). Sabemos que a loirinha sente tesão a partir da percepção do racismo a que foi exposta. É assim que essa mulher hipotética lida com o trauma do racismo.
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Como condenar a loirinha se ela nos afirma que tesão não se escolhe? Devemos imputar essa culpa racista a ela?
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Em sua defesa ela diria que no campo das relações e dos direitos ela não discrimina negros, que acredita em acabar com o racismo e o reconhece, que é parceira do movimento negro. Só que não tem jeito; ela vê um negro e fica molhada com a idéia de que ele vai pegar ela forte. A gente tem que tomar muito, muito cuidado pra não criminalizar as sexualidades. Já pensou o quanto essa mulher hipotética tende a sentir-se mal com seu sexo, culpada, deprimida?
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Talvez o que realmente importe pros negros em geral seja a discussão dos direitos muito mais do que como a loirinha faz na cama.
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O tesão dela adquiriu um componente do trauma que ela teve com o racismo, no choque com seu meio social. Ela não decidiu ser assim. Ficou impresso em sua sexualidade, só. Do mesmo jeito que ninguém escolhe se vai gostar de homem ou de mulher. Acontece.
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E porque eu estou dizendo isso tudo?
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Porque com a Dominação Masculina acontece a mesma coisa. Realizamos uma vivência quase maldita, socialmente. Contudo demandada pelos dois lados. E feliz.
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Então, assim como a loirinha não precisa ser racista pra viver a sua tara, a gente não precisa ser machista pra cultivar a nossa. Não precisamos ser machistas nos direitos, na sociedade; não precisamos chegar bêbados em casa e bater em nossas mulheres; não precisamos concordar que elas sejam vítimas de crimes sexuais.
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Não precisamos ser opressores, mesmo que esteja impresso em nós uma identidade sexual opressora.
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Sexo não é escolha política. Ser machista é.
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Eu nunca poderia escrever sem algum sarcasmo final, mas meus amigos Dons vão entender que sou um espírito brincalhão.
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As loirinhas com fixação em negros são os Dons, nesse texto. A tara maldita é patriarcal ao invés de racial. Uma boa analogia.
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E os Dons quando são bons são formais, ficam na deles. Mas há contradições e dores só nossas nesse negócio de ser Dom. A submissa tem seus desafios e suas fraquezas; nós não temos apenas os desafios da condução. Nós também temos fraquezas.
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É como se você tivesse que olhar pra dentro de você todo dia e se perguntar se sua sexualidade não é um absurdo e você tornou-se as coisas que pretende destruir.
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Por isso é que a gente tem que se aceitar; des-politizar o sexo. Tratar a liberdade pra além da anatomia, reconhecer a legitimidade do outro, seus traumas e construções de pessoalidade. Aceitar que no meio do horror social forja-se uma experiência pessoal de sexualidade e que é legítimo buscar ser feliz desde que você não agrida ninguém.
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Nem sempre essa tal liberdade é um valor burguês. Ela também é um pilar anarco fundamental. Qual nosso direito de patrulhar a escolha pessoal do outro, mesmo admitindo que ela pode ser "violência livremente elegida por nós"?

Parar de condenar as características que não são escolhidas: a raça ou a identidade sexual. E estar em níveis sm de necessidade de transferência de poder para obtenção de prazer constitui uma identidade sexual específica, segundo acredito. Punir alguém por sua identidade sexual é massacre emocional feito em nome de um falso bem. Despolitizar o sexo é crucial pra possibilitar realizações afetivas sinceras, onde cada um traga sua sexualidade honestamente para a relação, sem recalques.
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E politizar a escolha política. Ser implacável com o machismo. Lutar pela igualdade de direitos, lutar ao lado do que é certo.
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Mas não precisamos deixar de ser Leões. E Leões podem ser valiosos na luta pelos direitos das mulheres.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

O Comunista apóia o ACM.

Contextualizando, o ACM é um cara do sm que está sendo perseguido pela Globo porque a empresa não aceita a vinculação da imagem de suas marcas (ops...pessoas) com amarrações e bondagismo. O ACM divulgou em seu blog imagens que sugerem isso. É um blog de conteúdo erótico e o sujeito foi censurado; a Globo agiu no sentido de proibir a veiculação, até onde entendi. Ou seja, é a Globo perseguindo um blogueiro. Essa é a imagem.
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Uma posição absolutamente compreensível em se tratando dessa nobre emissora.
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Vou publicar a carta do cara. Me solidarizei.
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"Queridos/amigos/as,
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Em primeiro lugar, agradeço o seu apoio pessoal e de todas as pessoas que dispuseram-se a ajudar-me.
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O que está acontencendo é fato, toda a imprensa sensacionalista resolveu atacar meu site e meu blog, com perguntas agressivas cheias de mentiras e afirmações preconceituosas.
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A modelo Mel supostamente comparada com a Priscila Pires que faz parte do big brother, vem sendo alvo de críticas e insinuações maldosas quando inventam que o Bound Brazil realiza produções pornográficas e, ainda, incentiva a prática de prostituição.
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Na verdade, toda essa polêmica coloca um fetiche de bondage que sequer expõe nudismo nas fotos e videos em uma evidência a qual não gostaria de estar relacionado, e por mais que se tente explicar a essas pessoas desprovidas de caráter e cultura, a intriga e a calúnia saem sempre em suas manchetes.
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O pior é que não se trata de simples blogues pessoais, mas sites oficiais como o EGO, o VIRGULA e tantos outros, que a todo momento espalham essa notícia da forma que lhes é conveniente, sem publicar a versão do proprietário das fotos, o Bound Brazil. Desrespeitam a lei do "copyright" publicando material que não lhes pertence.
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Com receio, diversas modelos que fotografam para o site partiram em debandada para evitar ter a privacidade exposta por esses abutres que se consideram caçadores de notícias de pseudas celebridades, e isso, acarreta um prejuízo incontável fazendo com que um trabalho com custo elevado e extremamente meticuloso corra o risco de desaparecer.
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Mas essa saga não para por aí e sem o menor sentido compara práticas fetichistas no Brasil com pornografia e prostituição.
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Pergunto: onde isso vai parar?
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Tenho lutado com as armas que tenho e através do meu blog que conta com mais de 50.000 acessos, exponho matérias que são rebatidas por eles, através da vigilância diária em tudo que é publicado por mim.
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A modelo Mel teve as fotos retiradas do site para evitar esse assédio inoportuno, juntamente com o perfil de cada modelo do site, evitando que ficassem expostas a esses ataques sendo chamadas de prostitutas.
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Mas meu site segue no ar, com os inúmeros assinantes e as atualizações não param, apesar dessa caçada imbecíl desses predadores da sociedade.
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Todo o barulho é importante, o protesto, comentários nessas matérias ridiculas para mostrar a eles que existimos, que somos uma parte da sociedade que não se interessa pelos reality shows, mas que está vigilante quanto ao que é comentado sobre nossas práticas.
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Eles apagam os recados que deixo, mas se muitos o fizerem chegará o momento em que será impossível borrar uma mensagem coletiva.Bom, toda a ajuda é válida.
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Se mais pessoas se juntarem deixo aqui meu muito obrigado a todos, mesmo que seja somente pelo pensamento positivo para que essa onda passe e tudo volte ao normal.
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Só peço que essa gente me deixe em paz, e saiam do meu site e do meu blog onde nunca foram convidados a entrar.
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Janeiro de 2009, ACM"

------------------------"Globo e você, tudo a ver."
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Para ajudar o departamento de relação com o cliente da emissora, aproveito para disponibilizar links para o documentário feito pela BBC, em 4 episódios, exibido na Inglaterra em 1993, que conta a bela saga dessa empresa que nos brinda com "as meninas do Jô", "Malhação", "Big Brother" e tantas outras atrações cruciais para que sejamos gado.

Possivelmente você não soubesse que há um documentário, um produto jornalístico, mostrando a história da Globo como farsa. É porque eles escondem essa produção. Assista, você vai ficar impressionado.


Internet é ótimo. Qualquer um pode ver o documentário, por mais esforço que se faça para fingir que ele não existe.

Viva aos meios de comunicação.
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http://www.celsojunior.net/blog/2007/02/22/bbc-confirma-a-rede-globo-manipula-o-telespectador/
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Na briga entre a Globo e o ACM, eu sou ACM desde criancinha.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

O poder da gravata.

Porquê algumas mulheres tem fetiche por homem de terno e gravata?
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Todos sabemos que é uma associação com a idéia de poder. O chefe usa gravata.
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É porque a gravata é um símbolo fálico e também é por isso que ela é uma peça do vestuário masculino, apenas. O talleiur é criado dispensando a gravata. Lógico.
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Quer dizer, até o dia em que a pós-modernidade propuser a subversão e a desconstrução desse conceito. Já deve estar acontecendo em algum lugar da moda, se não me falhar o faro para as sacanagens que essa turma apronta com as identidades. Um dia eles vão lançar calcinha para o homem moderno metrossexual e vai ser um sucesso de vendas moderninho e descolado.
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Particularmente não gosto de gravata, mas vale a menção de que os homens de poder de nossa sociedade andam com um pau no peito, à mostra. Um sinal subliminar de autoridade fálica. Símbolos. É por isso que gravata curta demais passa a impressão do ridículo, do incompetente e longa demais de exagero, de palhaço que se exibe. É por isso que quando toca o hino nacional, todo mundo fica de pé e abotoa o terno; pra esconder, em sinal de respeito patriótico, o seu pau. Sacou?
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Se eu fosse um historiador da moda eu diria que as gravatas estão com os dias contados. Vai acabar, como acabaram a cartola e a bengala; peças do vestuário que a gente discute outro dia, respectivamente, a altura e o cetro.
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O drama da moda feminina é a inexistência da gravata, diria Freud.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Adeus Bush.

Doente, Fidel escreve a Bush, pouco antes da troca da presidência.
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"Companheiro Bush;
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Espero que você seja lembrado por gerações por todos os seus atos de bravura e coragem. Que as gerações futuras mencionem seu nome para sempre.
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Porque é frase de Lincoln que para conhecer um homem devemos dar poder a ele. Que sua memória seja eterna e que seus filhos carreguem seu sobrenome, companheiro Bush, onde quer que forem.
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Que seus atos praticados precedam sua prole onde quer que ela vá, até o último dia da terra.
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Que você saiba que sua vitória é completa nesse novo mundo e que homens como eu estão velhos e morrendo.
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Que tua filha saiba que se casará com alguém muito mais parecido com você do que comigo. E que esses serão seus descendentes.
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Que você saiba que seus netos o terão como exemplo ao invés de se espelharem em mim.
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Que tua mulher te olhe nos olhos quando for se deitar com ela.
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Posto que você, certamente, possui grande honra pessoal. E é um exemplo brilhante desse novo tempo.
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E é por isso, que os povos te amam e onde quer que vá tu consegue reunir multidões. Porque és o novo homem desse novo mundo. Você venceu.
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Que os historiadores do futuro te dediquem muitas páginas. Que eles narrem a natureza profunda do teu ser. Que arautos proclamem teus feitos e tuas decisões para sempre. Que sua memória seja eterna. Nunca nos esqueceremos do homem que você foi.
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Desejo que você encontre seus ancestrais na morte, assim como brevemente encontrarei os meus. Que você conte a eles o que fez com o tempo que te foi dado. Eu contarei aos meus como vivi. E porque vivi. Que as almas desses ancestrais te abracem conforme todo o teu merecimento.
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Que Deus o abençoe na justa medida de sua alma. Que sejam feitos poemas narrando exatamente quem você foi. E que sejam poemas eternos.
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Que cada mãe iraquiana te abençoe. Que cada ancião afegão conte aos netos sobre você e o homem que foi. Que cada pessoa o tome como exemplo de acordo com seu mérito, companheiro Bush.
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Que seus feitos sejam louvados para sempre. Que ninguém se esqueça de ti.
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Nós, heróis que sucumbimos um a um nesse novo tempo, te saudamos.
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Como Alexandre saudou as mulheres do harém de Dario, o Rei da Àsia que fugia para não ser morto.
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Eu, Aquiles, Saladino e cada herói; te saudamos por tudo quanto és. Que você esteja para sempre ao nosso lado na história para que te façam imortal nas comparações.
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Te saudamos, companheiro Bush.
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Que te saúdem os jornalistas com sapatos e os historiadores com a caneta. Por toda a eternidade.
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Viva eternamente no coração dos povos o legado que plantaste. Vive com teu legado. Vive para sempre.
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Do seu amigo, fraco, doente e no leito de morte
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mas ainda assim sorrindo;
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Fidel"
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A Pós-Modernidade tem os heróis que merece ter.
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Nem mais, nem menos.
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quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Onde você guarda o seu racismo?

Em homenagem a todo empreendimento de criar e educar uma geração de fêmeas que tivessem repulsa pela miscigenação. Em homenagem ao esforço reacionário cruel para ensinar com afinco valores puros para os anjos virgens de nossas casas.
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Em homenagem ao Coronel que espancava negros como animais e que construiu em sua assepsia moral monstruosa que sua filhinha era proibida para essas bestas selvagens.
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Em homenagem a todo patrão engomadinho que acredita que o sistema jurídico o protegerá da fúria do negro que vigia suas posses.
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Em homenagem a todo playboy que esculacha o negrinho no colégio.
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Em homenagem ao cidadão de bem, que acha que preto pobre é bandido e que os negros possuem uma tradição de selvageria que precisa ser contida em jaulas.
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Em homenagem a você, que não se admite racista e se recalca.
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Pra você que é frouxo e não consegue aceitar os fatos, hoje escrevo.
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Foi você quem ensinou sua filhinha que negão é bom demais.
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Porque sua opressão é resignificada pelo próprio machismo patriarcal. Eles são, simbolicamente, mais viris do que nós, brancos. Eles, simbolicamente, tem o pau maior. E foi você quem ensinou isso a ela, através da cultura racista que você, não assumidamente, ajuda a propagar. Quando afirmou que são feras, que são irrascíveis, preguiçosos e instintivos você cavava sua própria sepultura.
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É com você, racista incubado, que estou falando. Você que disfarça pra não beber no mesmo copo. Você que cumprimenta com beijo uma pessoa suada, desde que ela não seja negra.
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Não estou falando de libertação, militância negra, nada. Estou apenas te mostrando como você inferioriza o outro por medo.
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Estou só te mostrando uma justiça poética da vida.
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A justiça poética é que sua filha vai morrer de tesão com a idéia de ser fodida por um deles, possivelmente. Talvez um dia ela coloque o desejo em prática. E eu desejo que você seja vovô. Você ficar lindo na foto de família ao lado do negão que fode tua filha, seu merda.
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Correndo o risco de extrapolar, aposto que numa convivência cotidiana dentro da sua casa o negão traria forte desconforto a sua mulher, também. É uma presença imponente na casa de um branco, convenhamos.
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Provavelmente você se sentiria pequenininho.
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Se pudesse me conceder a liberdade de jogar uma opressão contra outra, eu diria aos negões que a simbologia machista lhes dá vantagem como violadores. Pode chegar junto que a loirinha vai tremer. Quero ver bocetinha sêca depois da cafungada do negão. Duvido.
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E eu sei que você, facistinha, se inferioriza quando eu digo isso. Eu sei que dói. Porque sua superioridade racial é só um mecanismo de medo que você carrega aí dentro. Só estou te mostrando o merda que você é. A culpa é sua e você merece saber que seu anjinho chora de tesão ao imaginar um negro forte e suado esporrando ela toda.
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É isso aí; tua namorada, mané.
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Tua mãe.
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Tua irmã.
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É legítimo que alguém tenha ou não tenha atração por negros. É seu próprio corpo, seu direito. Só não sejamos recalcados.
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Saiba que há racismo e que você está exposto a ele.
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Largue de ser hipócrita.
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E racismo por machismo, você tem o pau menor que o dele. Sorria.
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A menina branquinha que você mandou estudar na frança certamente mexe na bocetinha pensando no segurança do seu prédio, aquele mesmo que você humilha diariamente.
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Entendeu agora porque você é um merda? ;-)

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terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Bondage com alma.

A amarração da mocinha pode significar muito mais que sua restrição física. Para dizer a verdade, eu sou daquele tipo de pervertido que não se diverte simplesmente com o fato, mas especialmente com as repercussões e significações do fato.
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Gostei dessa restrição aí em cima, por exemplo. Ela é bela porque forma uma teia onde nossa mosquinha está devidamente privada de uma identidade pessoal mais complexa que sua bunda. Joelhos juntos com calcanhares separados são o sinal universal de humildade pré-coito e gosto de saber que, lá onde não vemos na foto, há uma cabecinha sutilmente inclinada pra baixo. Quando a bunda de uma mulher está inclinada em plano superior a sua cabeça você realmente pode imaginar o que isso significa.
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Exposta. Prestes a ser fodida sem dó. Sua.
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Não se trata de restringir os movimentos, apenas, mas de propor uma nova dignidade libertadora.
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É como arte, só que não fazemos sucesso.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Dominação Masculina - Umas idéias.

Elementos da composição da autoridade masculina são estimulados, mas muito pouco discutidos no meio sm. Donos falam em proteção de suas submissas, mas sabemos mesmo que tipo de mecanismo nos empurra pra essa fala?

É claro que a própria experiência BDSM inclui algum perigo físico intrínseco que é combatido com uma cultura da responsabilidade entre Top e Botton. Assim aprendemos uma cultura sm que diminui riscos das práticas reiterando a responsabilidade do Dominador sobre "sua peça".

Mas tirando isso, acredito que a Dominação Masculina, como expressão sexual do próprio patriarcado, nos proponha sempre a idéia do provedor, do pai, daquele que protege. Eu não conheço o processo das Domme mas conosco essa idéia é extremamente poderosa.

Porque por exemplo, mesmo em relações baunilhas, é comum que nós infantilizemos nossa interlocutora? Muitas vezes as tratamos como crianças porque em algum lugar sabemos que isso as fragiliza diante de nós, como filhas. Disfarçados em certos mimos e carinhos vai a mensagem: "Você é criança e não sabe das coisas".

Nesse sentido a Dominação Masculina circula em torno da idéia do Pater. E isso fundamenta nosso amor e zêlo por nossas meninas, o sentido de proteção da Dominação Masculina.

A aceitação de tudo quanto impomos nos gera fascínio sexual talvez porque fiquemos surpresos quando afirmamos sexualmente símbolos da opressão do pratriarcado (e te chamamos de puta, rimos de você ou te disciplinamos) e verificamos que há uma aceitação desse papel embaixo de nossa disciplina.
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Ou seja, quando vemos que nossa violação é entendida como violação e mesmo assim aceita em nome da lealdade ou do amor a nós.
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E é por isso que odiamos submissas que fingem a violação, que representam, que mentem. Nenhum de nós gosta da submissa que pede "mais forte, mais forte". Porque a violação proposta não está sendo entendida como violação, sequer. É uma ofensa significativa quando acontece.
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Os processos eróticos que dão sentido à Dominação Masculina (ao menos na média) tem origem na idéia fundamental da domesticação, no âmbito sexual, da fêmea. Na idéia do uso.
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Se isto é mantido no campo da sexualidade consensual apenas, qualquer acusação de machismo cai no vazio até mesmo para o senso comum. Vejo muitos Dons sem conseguir justificar suas preferências e cometendo o suicídio de afirmarem-se "machistas mesmo e foda-se". As pessoas são livres até para serem burras, sabemos.
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A Dominação Masculina não precisa de legitimidade alguma para ter mais poder sexual, até porque ela simboliza justamente o próprio poder sexual falocêntrico. Mas ela precisa ser melhor explicada, defendida e a preferência por ela precisa da legitimidade de não estar associada ao machismo.
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Caso contrário vão nos caçar pra sempre. Um resgate da identidade masculina na pós-modernidade precisa re-legitimar o prazer na violação sem conceder em tornar-se criminoso, anti-ético ou condenável.
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É quase como ser um reformista do patriarcado: achar justo que as mulheres tenham direitos civis e ainda manter sua putinha obediente sem muita resposta porque ela está com a boca ocupada.
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sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Generosidade Patriarcal.


Reuni peças de propaganda feminista radical. Segundo sua teoria o patriarcado é "a ordem de supremacia masculina que feminilizou a submissão e sexualizou a feminilidade".

Vocês sabiam que o objetivo último do feminismo radical é acabar com o sado-masoquismo? Justamente porque a mistura entre sexo e poder é um elemento histórico-cultural da dominação masculina. Isso significa que uma Domme não é alguém que domina, mas que se dobra frente aos símbolos de poder do próprio patriarcado. Cruel a visão dessas moças.

Naturalmente, eu faço o papel de adversário dessas idéias, mesmo que elas façam sentido teórico, por solidariedade a minhas amigas Dommes. Prefiro as Dommes, elas são muito menos cruéis que as feministas radicais ao lidarem com homens. Deve ser por corporativismo sexista meu, mas acho as Dommes legais. Mesmo assim, vou dar uma força para as feministas radicais nessa disputa.

Meu jeito de ajudar é publicar as peças de propaganda feminista radical e trechos (integrais, sem manipulação) para que as mulheres possam ter acesso a essa fantástica libertação intelectual e política.

Ah, fala a verdade, vai. Você sempre sonhou defender essas idéias.

Tenho certeza de que ao publicar esses cartazes estou contribuindo para o movimento feminista radical. Dando a você, mulher, uma oportunidade única de se juntar a companheiras que defendem um rompimento sadio conosco. Somos mesmo opressores históricos, você realmente devia estar com elas e não de coleira obedecendo um "Troll sexista machista e opressor".

Lembre-se: O orgasmo pode ser atingido com auto-estímulo. Não compre vibradores, contudo, eles são produto da sua obssessão fálica. Não se engane pela mera anotomia confortável.

De resto, não posso fazer muito mais para ajudar a dar visibilidade a essa causa justa. Deve ser suficiente publicar suas próprias peças de propaganda. Você vai formar rápido juízo sobre que lado deve estar. Afinal, peças de propaganda servem pra convencer as pessoas.

Tenho certeza de que você vai formar sua opinião rapidinho.

"I want YOU to be a RAPIST"
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"A ordem de supremacia masculina feminilizou a submissão e sexualizou a feminilidade."
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"Quando somos felizes de verdade, não precisamos procurar por prazeres. Somente pessoas infelizes estão concentradas nos prazeres." — Victoria Boutenko, "12 Passos para o Crudivorismo"
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"Sadomasoquismo é racista e contra a diversidade, porque concebe que, se há diferença, um lado tem que ser o oprimido e o outro opressor." Audre Lorde
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"Há coisas que são historicamente associadas às mulheres. Submissão sexualizada é característica feminina na ordem de supremacia masculina; já que o próprio ser da mulher é sexualizado, toda sexualização e relação sexualizada que remeta a submissão remete à condição da mulher."

"Atitudes e comportamentos sadistas e masoquistas entre lésbicas, de fato, são bom exemplo de como nós internalizamos idéias abusivas assim como todo mundo faz. Nós estamos seduzidas pela dominação masculina - porque nós vemos que é ali que poder reside. A gente ainda se ilude se pensarmos que é possível “encenar” o estuprador sem se tornar o estuprador."
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"Não deixe que deturpem e vendam sua sexualidade, pornografia NÃO É LIBERDADE."

Boa militância, meninas!

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

O melhor amigo da mulher.

O percentual de mulheres que possuem alguma tara obscura envolvendo cães é simplesmente surpreendente. Me impressiona que tantas vezes eu tenha ouvido isso como um grande segredo da sexualidade dessa ou daquela mulher.

É evidente que não existe nenhum generalismo. É só uma impressão.

A quantidade de mulheres que morrem de vergonha disso é tão grande quanto a quantidade das que fantasiaram ou experimentaram alguma vez.
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Apesar de não praticar e não ser um adepto, me parece estranho que realizando práticas como Dog Play possamos ao mesmo tempo tratar zoofilia com vergonha. Não devia ser um tabu.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Quem tem boca vai a Roma.

Sexo oral e troca de poder.

Sabemos o quanto os Romanos nos influenciaram culturalmente até hoje. Nosso direito segue premissas construídas no antigo Império. Nossa língua é latina. Nosso próprio modelo de estado nacional se apropria de formulações greco-romanas. O transporte público, os estádios, a propagação do cristianismo e uma fatia gorda de nossa filosofia e de nossas artes vieram de lá.
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Não significa que observando a cidade eterna de antigamente possamos explicar a nós mesmos, exatamente. São apenas influências culturais. Apenas?
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Se há uma história militar, uma história da moda, uma história da arte; vejamos o que nos diz a história da sexualidade a respeito do sexo oral em Roma.
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Como em outros campos de atividades humanas, tenho certeza de que a influência de Roma em relação a nossa sexualidade foi mínima. Ridiculamente crucial, provavelmente.
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Separei alguns fragmentos de textos interessantes. Me permitam algumas ilustrações pornográficas para ilustrar o que digo, preste atenção aos símbolos de poder nessas imagens. Finja que eu não gosto de colocá-las aqui e que é um mero instrumento didático. Ou pode me acusar de descer ao nível da mera putaria se preferir. Também é verdade.

"The History of Fellatio"
By Annie Auguste

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(...) "Ancient Rome was a society of soldiers, of machos and rapists, and their perception of fellatio was interesting. The practice of fellatio in ancient Rome was perceived in terms of active and passive: The active one was in fact the person getting fellatio. In this case we're talking about the soldier, the virile male. The passive one -- usually a woman or a slave -- was the one giving fellatio or, to understand it more clearly, the one receiving the penis.
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Today, of course, it's the other way around. We perceive the one who's giving fellatio as the active one and the one receiving it as the passive one. But in Rome to give fellatio was a passive act, a submissive act. For example -- and this is very clear in Roman texts -- to punish a person who stole potatoes from his field, a Roman might oblige the person to give him fellatio. He might stand up, drop his pants and say, "Now you're going to kneel down and take it in your mouth." The one who was required to give fellatio was the passive one, the one who went against the valor of virility. The Roman perception is interesting.
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We [again] find some aspects of the Roman idea in certain cultures that are slowing disappearing, for example, in New Guinea. There are initiation rituals for young people that involve practicing fellatio on adults and ingesting the sperm -- sperm considered, of course, a vital, precious resource. These are not homosexual communities. On the contrary, the fellatio ritual is performed to make men acquire strong, active, macho values in a society where women are totally submissive and dominated.
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The Incas were the same. There are traces on their pottery that suggest that, like New Guinea, fellatio was a practice modeled on domination and power." (...)
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Exemplos arqueológicos?
Grafites em muros.
O que encontramos nas pixações de cidades do império Romano?
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Publicado em: Aspectos da cultura popular antiga: apresentação, tradução e discussão de alguns grafites pompeianos, Estudos de História (UNESP-Franca), 4, 2, 143-150 (publicado em 1999).
PEDRO PAULO A. FUNARI (UNICAMP)

1253 - IVSTVS LIIMNIO FIILATOREA
SAL

Tradução: Justo saúda ao felador Lêmnio.

Comentário: As inscrições do Vico della Fullonica apresentam diversos casos de referências sexuais (inscrições 1251 a 1264, cf). Fellator (aqui escrito com um só l) podia ser uma agressão verbal mais ou menos forte.

1284 - SIICVND
FIILLAT
Tradução: Segundo fela.

Comentário: O uso de fello (felar, fazer sexo oral com um homem) é muito comum em Pompéia (fellare, fellator, fellatrix somam 76 citações parietais). Usado para referir-se a um homem, como neste caso, é normalmente interpretado como um insulto.

1529 - IR IRRVMATOR
Tradução: Faço sexo oral. (apógrafo)

Comentário: A tradução não dá conta do sentido da expressão no original. O verbo irrumare, obsceno, significava "penetrar a boca", do ponto de vista do agente, por oposição a fellare, com o mesmo sentido mas do ponto de vista passivo (mentulam in os inserere). Portanto, irrumator refere-se ao homem que se vangloria de penetrar a boca de alguém, de maneira semelhante aos epítetos fututor e binetas ("possuidor"). A palavra deriva de ruma "teta" e o sentido original seria "por a teta dentro de algo".

E por fim, um trecho de um texto que é qualquer coisa próxima de uma revista boba dessas de dicas femininas. Eu achei interessante porque a articulista constrói uma interessante explicação falocêntrica para gostarmos tanto de sexo oral. Uma explicação afetiva, quase daquelas "de mulher pra mulher".

Nunca pensei que alguém que escreve nesse tipo de site ou revista pudesse ser sensato. É sempre bom demolir preconceitos nossos. Parece que ela entendeu alguma coisa importante e que sabe entregar a informação de maneira bem mais suave do que eu, mesmo que nossa atração não seja tão simples quanto ela pretende explicar. De qualquer forma, somada à imposição de poder, faz muito sentido. Lá vai:

Why Do Men Love it So Much?

By Lisa S. Lawless, Ph.D., C.E.O

(...) "Most men love oral sex performed on them for a few reasons. It of course feels really good, especially when it is done well. It makes them feel desired and of course it lets them know that you really appreciate their penis and them.

I think too often men are made to feel ridiculous for focusing so much attention on their penis whether it be size or it getting attention. I think what women forget is that we focus on things that could be perceived as being ridiculous too. Think about how much most women obsess about how big their butt looks in a certain dress or if the bra with underwire makes their breasts look good so that we can get that compliment when we walk out to go to a party. Underneath it all we all have the same need... to be appreciated." (...)

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Pleonasmo.

O que quis dizer com tudo aí embaixo é que todo homem que entendeu a dimensão de sua própria morte viverá abençoado pelas ninfas e descansará entre heróis.

Todo homem que se acovarda diante da idéia de que um dia vai morrer é seu próprio judas.

O tempo que nos é dado é o único para ousarmos.

Decida ser Rei.

É um conselho sem fins lucrativos, a única coisa que ganho é mais competição, acredite.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Pós-modernidade e domesticação do masculino.

Pós-modernidade. Desconstrução das identidades. Fluidez. Vivemos em um tempo vazio de alma, uma sociedade de consumo com valores pasteurizados. A opinião pública é ditada por William Bonner às oito para que nos tornemos gado. Nós reproduzimos valores irrefletidos aos nossos pequeninos. Eles serão os moralistas de amanhã, um exército de homens e mulheres iguais no sentido mais pobre. Supostamente livres e cópias fiéis uns dos outros.

Como pode haver liberdade sem rompimento? Toda mudança é trair uma antiga tradição. Nesse sentido muitos traidores são na verdade heróis que trazem atrás de si um novo tempo. E outros são meros infiéis mesmo. Jesus era um traidor de sua própria tradição religiosa, para estabelecer uma nova ordem e o amamos por isto. Judas era um traidor daquilo que prometeu a si mesmo ser e nós até hoje fazemos bonecos com seu nome para atear fogo.

A única traição maldita é a que torna hipócrita o teu próprio coração diante de si mesmo e diante dos outros, provavelmente.

É doença amar alguém mais que a si próprio. É errado amar alguém que esteja no erro. Não há mais clãs, nem lealdades de fogo, nem necessidade disso. Reagir ou vingar-se são atitudes condenáveis. Toda rebeldia é errada. Eu aprendi isso tudo na escola e na novela. Castre-se a si mesmo e trate seu chefe por Senhor. Internalize suas contradições, plante uma árvore, escreva um livro, tenha um filho. Morra.
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Há alguma coisa dentro de nós que ainda grita? Há algum elo com nosso instinto que sirva como caminho para fora de uma postura que pretende pasteurizar a identidade masculina junto com todas as outras? Os homens devem ser pacíficos, metrossexuais que nunca desencadeiam confusão ou caos como nossos ancestrais. Se possível faça as unhas, uma plástica e uma maquiagem leve para esconder as olheiras. Não exagere pra ninguém perceber; parecer gay ainda é um tabu, mas estão trabalhando nisso. Não use expressões fortes, não fale palavrão, não fique de pau duro por causa daquela sua prima gostosa, não desafie a ordem vigente. Sinta-se culpado porque teus filhos passam necessidade, mas não roube. Pausa.

Se a prole de alguém passa necessidade ele devia mandar o sistema judiciário se foder, mesmo. Quem deveria escolher o que é certo em detrimento do amor? E claro, o sujeito duraria pouco pra contar a história. Deve ser por isso que grandes atos de amor são sempre acompanhados de tragédias.

Não defendo que ninguém cometa crimes e o texto nem é sobre isso, meu ponto é que nos amansaram a ponto de que somos incapazes de grandes atos apaixonados e nos fechamos com medo de que nossos destinos sejam trágicos. Medo de sofrer, de sangrar, de morrer. Mesmo que saibamos que vamos morrer de qualquer forma. O medo fode nosso amor e nossa entrega pelas coisas.

Onde estão os mais corajosos meninos pobres das favelas? Nossa sociedade doente coloca um interessante dilema na frente de um moleque do tráfico. Viver na pobreza a única vida que ele tem, trabalhar 10 horas por dia para ganhar um salário que o envergonha diante de sua prole, até ficar velho e doente na fila de algum hospital que não tem remédios ou tomar armas, mesmo que o tráfico seja uma merda. A escolha está diante dele para ser feita.

O papel dele está claro: viverá poucos anos, exibirá um fuzil na comunidade para mostrar que é um guerreiro e os pais da classe média vão se desesperar enquanto suas filhinhas branquinhas vão compor voluntariamente o harém de putinhas desse negro pobre. Elas sobem o morro porque são viciadas, nos explicará o Datena. O Datena zomba da sua inteligência.

Elas sobem por outras razões. Não sei eu mesmo explicar, mas a resposta do senso comum não me serve.
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O cara lida com armas e vai morrer violentamente cedo. Ele pode ser preso, mas o provável é que seja morto. O barraco pode ser invadido enquanto ela está lá e possivelmente ela mesma morreria junto. Seria muito mais seguro ficar com o Papai e comprar drogas pelo telefone.

Mas o paradoxo é que, estando imersa nos maiores perigos, aquele ser, aquela fêmea, sente-se segura ao lado dele. Patricinhas da Zona sul que viram fiéis putas de traficantes são um fenômeno comum no Rio de Janeiro. Elas preferem o Zé Pequeno ao Felipe Dylon. É divertido ver a classe média se contorcendo com esse tipo de fenômeno.

Você realmente já ouviu funk? Todo mundo já escutou funk, mas eu estou falando de ouvir. Poder sexual e violência. Não tem como a patricinha em questão não ficar com a bocetinha molhada. Devem haver muitos elementos que expliquem essa onda das jovens de classe média em direção ao morro, mas que elas morrem de tesão eu não tenho dúvida.

No meio da sua pregação legalista e conservadora talvez o Datena pudesse nos explicar se realmente não existe um paralelo entre um proibidão e os contos de heróis de antigamente, onde um guerreiro desempenhava qualquer ato de força e coragem onde se arrisca fisicamente e tem uma mulher como prêmio. Códigos de poder sexual repassados em histórias infantis. É só ver as letras de funk.
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A preservação da identidade masculina em extinção é uma tarefa sagrada. Belíssima. Nós somos monges de um tempo que se foi. Mas ainda aparecem espasmos de difícil explicação sociológica, volta e meia.

Como a honra não é mais um valor cultivado para repassarmos a nossos pequeninos, Aquiles possivelmente está carregando um fuzil em algum morro carioca nesse exato momento, enquanto o Datena faz as unhas e engorda. Não é muito justo.

Mesmo assim gostaria de homenagear o conservadorismo do Datena com algumas fotos da filha dele, a modelo Letícia Wiermann. Parabéns, papai!


terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Conselhos a uma submissa.

Dicas para chegar ao bottom do poço.

Não desobedeça ordens, mesmo que elas apresentem alguma lacuna. Descubra sempre o que seu Top quer de você com a ordem e atenda, mesmo que você tenha que fazer adaptações. Observe o espírito geral dos comandos e seja criativa. Você não é um robô. Isso fará com que ele compreenda que suas ordens são obedecidas com seu coração.

Não se torne enfadonha para seu Dono. Perceba do que ele gosta, como gosta e invista em ser uma alegria para Ele. Se o seu mecanismo mental for submisso isso fará bem a você mesma no final. Você está buscando uma relação de entrega, dedique algum tempo à submissão voluntária.

Não tenha modos vaidosos, acostume-se a escrever e a pensar em você como puta, posse e fêmea Dele. Sem essa de manter um monte de orgulhos escondidos. Numa relação de Dominação o orgulho é como calo, dói o tempo todo. Trabalhe contra qualquer soberba para realmente servir com verdade. Não fique se protegendo atrás de preconceitos. Não seja hipócrita, você sabe em que tipo de relação está.
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Ao mesmo tempo, te é facultado ter profundo orgulho da tua submissão. Isso é belo e deve ser a tua maior vaidade. Há maneiras orgulhosas de portar uma coleira. Orgulhar-se sinceramente da própria submissão é saber que você é uma grande mulher.

Não conte segredos de seu Dom ou de sua relação a ninguém do meio. Você não pode proteger seu Top do julgamento de terceiros uma vez que tenha aberto a boca. Você só deve falar com terceiros detalhes do que acontece entre vocês se houver algum abuso ou se você se sentir em perigo. Evite fofocas. Uma puta sub não coloca seu Dono no meio de confusão. Isso não significa que você não deva dialogar sobre BDSM com terceiros, mas que você deve ter em mente a fina linha entre discutir e fofocar.

Não cobre, não aperte, não pressione. Não se torne uma chata e reclamona fora dos limites que foram estabelecidos na negociação. As pessoas colocam tudo a perder com essa mania de pretender que alguém se comprometa mais através de pressões. Deixe o nível de comprometimento aumentar conforme a relação fica boa. Naturalmente.

Quando estiver em uma festa ou em um ambiente sm esteja sempre com sua coleira. Não interrompa ou discorde de seu Dono na frente dos outros. Não inicie contato físico com outros Tops, nem os cumprimente com beijinhos; um aperto de mãos vai servir. Ele pode corrigir sua conduta, mas não pode alterar a vergonha que você o faça passar em uma situação dessas. Se comportar mal significará a todos os presentes que seu Dono não possui ou não exerce adequadamente sua autoridade sobre você. É a honra Dele que está sendo medida por suas atitudes.
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Aprenda a ser amada. As submissas recebem grandes doses de amor e carinho, geralmente. Os códigos podem ser diferentes dos de uma relação baunilha, mas fato é que você não é uma mera boneca inflável e seu Dono não é tão insensível quanto possa parecer com um chicote na mão. Uma relação de Dominação é mais intensa em tudo: a verdade entre os dois aparece, o sexo é melhor, as pessoas se conhecem ao invés de fingir. Aprenda a ver a beleza dos pequenos gestos, senão você não vai entender nada sobre o que é essa vivência.

Dialogue francamente com seu Top. Se você não disser, talvez Ele não consiga adivinhar. Há momento adequado para tudo, inclusive para críticas e manifestações de desconforto. Cabe a você escolher a melhor forma, a maneira ideal de dizer as coisas. Em uma relação de Dominação a forma como você dá a informação a seu parceiro é tão importante quanto o conteúdo. A fórmula é: verdade sempre com arrogância zero. Entenda sua posição na hora de formular suas críticas.

Cobre de seu Dono que Ele seja coerente. Se a submissa está em constante evolução, é certo que isso também se aplica aos Dons. Sobre quais valores está fundada a Dominação Dele? É um direito seu demandar que Ele seja coerente com o que prega. Essa é uma enorme dificuldade da posição de poder. É difícil pra cacete merecer a entrega da sub o tempo todo. E aqui cabe uma digressão.

Quando uma submissa erra ou age mal ela é punida e aprende a não repetir o erro. E o que acontece com Dons verdadeiros quando Eles próprios erram? Eles se punem e são cruéis consigo mesmos, acredite. O ridículo é intolerável para a posição que tomamos para nós. Mesmo assim, todo Dono errará muito. E bons Donos se sentirão muito culpados pelos erros graves que cometem. Na minha opinião estabelecer autoridade moral verdadeira sobre uma mulher é quase como esculpir em vidro: um simples erro pode destruir tudo. É fácil imaginar o que acontece com a autoridade moral Dominadora se ela é pega em mentira grave, por exemplo.

Não há paradoxo entre ser submissa e cobrar (não como inimiga, mas como quem quer incentivar a evolução de seu parceiro) que seu Dono seja coerente. Esse nível subliminar de cobrança é como se a submissa dissesse: “Eu sou tua cadela, teu bichinho de estimação e meu corpo te pertence. Mas você tem que ser forte e me passar segurança para que eu possa me abrir completamente”. A demanda da submissa é justíssima, nesse caso. Se seu Dono é alguém corajoso e honrado, incentive essas características, por exemplo. Quando Ele não agir dessa forma, dialogue para entender suas razões e procure ajuda-lo para que Ele retome o caminho de sua própria evolução. Repare nas evoluções e mudanças de seu Top.

Cultive amor genuíno pelo Dono. Sei que isso não é um conselho comum no meio, mas eu diria que todo Top é um vampiro das emoções que são emanadas em sua direção. Não estou falando de amor romântico com jantares á luz de velas. Mas realmente creio que só há sentido na submissão se houver algum sentimento que dê liga as sensações sexuais. O amor re-significa as atitudes dentro do sexo. Amar seu Dono não é algo que atrapalha, como muita gente diz por aí. Dominação é como qualquer outra relação da vida da gente: os laços se reforçam ou se desfazem de acordo com os sentimentos de cada um. Não se trata de um jogo sexual de bater e apanhar: Dominação nos permite vivenciar experiências afetivas únicas.

Entenda a humilhação como um processo de afirmação da autoridade de seu Dono sobre você. Descubra seu tesão nisto. Não se trata de agressão contra sua auto-estima. Ficar babando de quatro com um gag na boca enquanto apanha na bunda significa muito mais o poder Dele sobre sua cadela do que um motivo para você ficar grilada e correr pra um analista. Procure trabalhar eroticamente suas sensações. Se você está nas mãos de um bom Dono, você vai entender que a humilhação te torna mais Dele e muito mais bonita.

Leia sobre Dominação e discuta com seu Top. Isso pode enriquecer a experiência dos dois. Acredite, há muita coisa a ser aprendida sempre. Não se acomode com o que você já sabe.

Conheça seu Dono o melhor possível. Conheça o prazer de seu Dono mais que Ele mesmo. Dominação é um processo erótico a partir do qual se vivenciam grandes experiências afetivas. Sexo está no centro da sua relação. Que submissa poderia pretender ser amada no exercício de sua função sem compreender os detalhes da sexualidade de seu Top? O seu prazer certamente será maior se perceber que sua submissão atende os desejos Dele. Aprenda sempre sobre Ele e sobre como é bom vê-lo satisfeito. Tenha orgulho submisso em ser uma boa puta para quem merece que você seja.

Não minta, não enrole, não traia a negociação. Isso é fatal.

Seja honesta com seus limites e não confunda seu amor com sua submissão. Não force seus limites em nome de seu amor ou com a intenção de agradar e fortalecer seu vínculo. Quando estiver preparada para uma prática, esteja preparada dentro de si mesma e por você mesma. Há muita diferença entre uma mulher apaixonada que topa tudo para continuar próxima e uma submissa de verdade. Nós não somos idiotas e percebemos se você está se forçando em nome de seu amor.

Perdoe a si própria e perdoe seu Top. Erros vão sempre acontecer e muitas vezes eles serão graves. Seja generosa.

Confie na condução de seu Dono. Ele provavelmente terá o bom senso de conhecer suas necessidades e limites antes de intensificar qualquer coisa. Não tenha medo de apanhar muito ou fique apressada em apanhar mais. Deixe que Ele conheça seu corpo e seus limites com o tempo. O encaixe é natural. Provavelmente o Top vai cuidar de você direitinho e tudo vai ser sempre mais lento do que você gostaria, até. É uma obrigação Dele zelar para que você não tenha uma experiência física ou emocional mais forte do que esteja apta a suportar. Se o cara exagera, pule fora da relação. Bons Dons são zelosos de suas peças e geralmente tem comportamento gradual e responsável.

Obedeça com alma e coração; se antecipe. É mentira dizer que submissão é passividade. Alguém espalhou esse boato idiota e muita gente acredita. As maiores submissas são grandes conselheiras e verdadeiras Valquírias na defesa da Casa de seu Senhor. E é assim que uma mulher pode, através da sua fragilidade, tornar-se o tesouro mais precioso para um homem forte.