sábado, 14 de fevereiro de 2009

Alexandre.


Alexandre teve como herói Aquiles. Eles representam uma identidade masculina específica e esquecida.
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Dentro das imagens de poder do sagrado masculino eles são representantes de outro símbolo; um dos muitos arquétipos da nossa identidade ancestral. Tanto quanto Ricardo Coração de Leão significa um guerreiro da tradição e da liturgia do sagrado, o peregrino. Outro símbolo.
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A escolha dos heróis é decisiva, pra qualquer um. De minha parte, eu me filio a Aquiles e Alexandre como messias de uma poderosa identidade masculina, um arquétipo ancestral que ronda as gerações.
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É como se os heróis que escolhemos como referencial nos soprassem, de seus túmulos, como gostariam que nos comportássemos para sermos dignos de sua benção. Que valores devemos mais ainda que "viver"; buscar "ser" em nossa existência. Nossos heróis são nossos exemplos em formato de arquétipo.
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Quando você se filia a um herói você indica que os valores gerais dele são os que você admira e tem como meta.
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Por Carlos Brazil:
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Um homem que viveu há mais de 2.300 anos e ainda desperta grande interesse. Um personagem controverso, do qual há opiniões das mais diversas, desde aqueles que o consideram um herói até os que o qualificam como figura desumana. Um conquistador que construiu em pouco mais de uma década um dos maiores impérios da História da humanidade. Este é Alexandre, O Grande - filho do rei da Macedônia, Felipe II -, que ao assumir o trono de seu país iniciou uma campanha de expansão de seus limites territoriais nunca antes vista pelo homem.
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Ele não chegou a completar 33 anos de idade, mas deixou um legado considerado de grande relevância para a formação do que hoje é conhecida como cultura ocidental. Alexandre - considerado um gênio militar à frente de seus exércitos - extendeu os domínios da Macedônia (à época, umas das sociedades que compunham a comunidade helenística, na Grécia antiga) desde o Mar Egeu, na Europa, até o norte da Índia (Ásia). Para chegar até lá, passou pelo Egito (África), Turquia, Afeganistão e Paquistão (Ásia).
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Mas, afinal, qual é a real relevância da figura de Alexandre para a História da humanidade?
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"Alexandre é um nome importante para a definição mesmo do que é o Ocidente. É ele que vai alargar os limites do que até então poderia ser reconhecido como sendo uma possível fronteira do que entendemos hoje por Ocidente, que era a Grécia clássica das cidades-estados, no Mediterrâneo Ocidental", afirma o professor José Otávio Nogueira Guimarães, do Departamento de História do Instituto de Ciências Humanas da UnB (Universidade de Brasília).
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"Ele era realmente uma figura diferenciada, e creio que nenhum líder na História da humanidade tenha uma trajetória tão fulgurante e conseguido em tão pouco tempo realizar tanta coisa", diz, por seu lado, o professor de História Antiga José Luciano Cerqueira, coordenador do curso de graduação em História da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco).
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Alexandre surge na História em um momento de crise da cultura helenística, com a decadência das chamadas cidades-estados da Grécia Antiga após a Guerra do Peloponeso, que envolveu as duas mais destacadas cidades de então: Atenas e Esparta.
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"A época de Alexandre, que é o século IV a.C. - ele nasceu em 356 a.C., Felipe, o pai dele, assumiu o trono da Macedônia em 359 a.C.-, é marcante. Ele surge num momento em que o mundo grego está passando por uma crise muito grande. O modelo grego político por excelência era o da polis, ou cidade-estado. Mas uma guerra entre as duas principais polis gregas - que eram Atenas e Esparta, e essa foi a Guerra do Peloponeso, que durou 27 anos - desgastou o modelo ao extremo. Foi uma guerra que implicou em traições de parte a parte, saques... quase todos os valores gregos foram abandonados. Então, essa guerra desgastou tanto o modelo de cidade aristocrática, representado por Esparta, quanto o modelo de cidade democrática, representado por Atenas", explica Cerqueira.

Transição
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Desta forma, Alexandre se insere em um momento de transição, e sua atuação será determinante para a formatação do período que vem a seguir de sua curta trajetória de líder que morre muito jovem.
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"O que o Alexandre vai fazer com suas conquistas - que em um primeiro momento se estendem sobretudo em direção do Oriente - é colocar essa Grécia clássica em contato com um mundo até então desconhecido e que vai permitir justamente esse processo de alargamento da noção de Ocidente no sentido de que esse Ocidente vai ser vitorioso militarmente, pelo menos com Alexandre, nesse processo de expansão das fronteiras do mundo helênico. Então, acho que Alexandre é, em grande parte, um dos responsáveis pelo fato de que o legado cultural grego tenha permanecido e tenha se consolidado durante esse momento", analisa o professor José Guimarães.
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A expansão promovida por Alexandre e seus exércitos em pouco mais de dez anos permitiu a propagação da cultura helenística para pontos jamais antes imaginados pelos homens de então. "Alexandre acelerou a helenização", diz Cerqueira.
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Outra marca desse grande conquistador era sua característica visionária. Ele enxergava mais longe e via oportunidades e perpectivas em lugares que, posteriormente, viriam a ser comprovados como estratégicos.
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É o caso das chamadas Alexandrias - estima-se que teriam sido fundadas 32 cidades com este nome - que, mesmo depois da morte de Alexandre, viriam a demonstrar grande vigor e tornar-se pólos culturais e econômicos de importância considerável.
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O principal exemplo foi a Alexandria erguida no Egito, ao largo do delta do rio Nilo. A cidade experimentou tal prosperidade que foi considerada uma das mais importantes da Antigüidade, com sua biblioteca, museu e o próprio Farol de Alexandria, uma das sete maravilhas da humanidade. Alguns estudiosos dizem que a cidade teria tido uma população de mais de 1 milhão de pessoas.
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"O olho dele (Alexandre) para escolher cidades é um dos aspectos importantes para a civilização ocidental. Essas várias Alexandrias seriam grandes centros de difusão do pensamento grego, helênico", indica o professor Cerqueira.
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Credita-se, também, a Alexandre a construção dos alicerces do que seria, posteriormente e por centenas de anos, o protótipo de modelo político hegemônico na humanidade. Primeiro, com o Império Romano, que sucedeu o seu império algumas centenas de anos após sua morte. A seguir, o modelo de compreensão entre os povos, que acabou sendo marco da atuação de Alexandre em relação a seus conquistados e que viria a se refletir na cultura cristã, surgida pouco mais de 300 anos depois.
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"Vai ser uma coisa importante, porque esse é um momento em que a ordem das cidades-estados, que era extremamente rígida, institucional - quer dizer, se você nascesse cidadão você tinha direito a ter uma dignidade, a ser um animal racional, a participar do mundo político -, vai ser rompida. Passa-se a dizer em tom de igualdade: `você pode ser homem, mulher, escravo, desde que tenha contato com o ecúmeno, com a totalidade´. Isso está preparando o cristianismo: `somos todos irmãos desde que nascemos´. Isso é revolucionário para a época", avalia José Guimarães. "A inserção do homem no mundo se dá agora pela sua individualidade, porque ele é um particular na história, e não porque ele faz parte de uma casta, de uma rede."
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"Os gregos eram extremamente auto-referentes. Eles achavam que grego era uma coisa e bárbaro era outra. E todo mundo que não fosse grego era bárbaro. Portanto, seria inferior. Alexandre já tinha uma posição diferente. Ao longo da campanha dele, que vai realizar contra o Império Persa, vai deixando transparecer cada vez mais - até afirmar isso claramente nos seus últimos anos de vida - que para ele não há distinção entre bárbaros e não-bárbaros. A distinção é entre os homens bons e maus. Esse vai ser um traço de Alexandre", acrescenta Cerqueira. "Eu acho que o que tem de interessante em Alexandre, que vai preparar o terreno para uma posterior civilização como a romana, é justamente esse processo de absorção e sincretismo, que é uma das características principais do chamado período helenístico histórico, no qual se dá a ação de Alexandre, de absorção de cultura, elementos artísticos, religiosos e até mesmo sócio-políticos", conclui.
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Combatente tenaz
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Parte da tradição historiográfica construída sobre a figura de Alexandre a partir do século XIX valoriza muito as habilidades militares do personagem. Ele é reconhecido como um grande líder e até mesmo estudiosos da área de Administração citam suas estratégias de logísticas como exemplares para o sucesso de sua campanha militar.
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Para se ter uma idéia, ao invadirem a cidade de Tiro - uma ilha contígua à costa do Mediterrâneo que possuía um importante porto a serviço dos persas -, Alexandre e suas tropas promoveram um cerco de sete meses no qual construíram uma passagem entre o continente e a ilha para viabilizar o transporte de suas máquinas de guerra e das tropas.
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"Alexandre se destaca mais por ver mais longe e agir com muita rapidez. Ele sempre combateu com um número de tropas muito inferior que os inimigos. Mas se movia com muita rapidez, aparecia onde não se esperava, desnorteava, surpreendia os inimigos nas suas movimentações", lembra Cerqueira.
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Aventureiro
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O que chama também a atenção da pessoas na personalidade de Alexandre é o seu espírito conquistador e aventureiro. Ele percorreu mais de 6.500 quilômetros com suas tropas, atingindo localidades jamais antes vistas por seus pares helênicos.
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"Ele faz uma viagem de sete anos que parece mais expedição científica do que propriamente uma campanha militar. Alexandre chegou a correr riscos de vida várias vezes em combate, mas não havia nada assim tão importante em jogo. Ele pretendia continuar, e, se o tivesse feito, teria penetrado em território chinês. Mas seus soldados se revoltaram, terminaram não aguentando mais, e, no norte da Índia, na região que seria hoje o Paquistão, no rio Hindus, ele iniciou, a contragosto, a viagem de volta. Aí volta para a Babilônia (coração do antigo Império Persa conquistado por ele, onde hoje localiza-se o Iraque), onde vai viver muito pouco tempo. Dizem que tinha planos para conquistar a Arábia, para conquistar Roma, Cartago... ninguém sabe certamente quais eram os planos dele. Mas, aí, morreu com 33 anos incompletos", indica Cerqueira. "Foi tão longe com apenas 33 anos quanto ninguém antes tinha ido."

Figura controversa
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Se por um lado as características de liderança, genialidade militar, reconhecimento de outras culturas e capacidade de mobilização são marcas valorizadas na figura de Alexandre, outros traços de sua personalidade e algumas de suas atitudes deixaram manchas em sua reputação.
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Não é necessário ir muito longe para notar essas perspectivas negativas em relação à personalidade do conquistador. Uma canção de Zé Ramalho muito popular, Mulher Nova, Bonita e Carinhosa Faz o Homem Gemer Sem Sentir Dor, composta sobre poema de Otacílio Batista, cita em determinado trecho: "Alexandre, figura desumana, fundador da famosa Alexandria...". Também em algumas localidades por onde Alexandre passou na Ásia e Oriente Médio, é mantida a tradição de que o conquistador seria o próprio diabo.
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Esses predicados negativos foram adquiridos diante de atitudes violentas e radicais. Um exemplo foi a destruição da cidade de Persépolis, na Pérsia, decidida por vingança contra uma invasão persa à Grécia 150 anos antes, ou então o extermínio da população masculina de Tebas (Grécia) após uma guarnição militar macedônica ter sido dizimada. As mulheres e crianças sobreviventes deste ataque foram vendidas no mercado de escravos.
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"Alexandre é uma das figuras mais polêmicas do universo historiográfico do século XIX para cá. Foram construídas várias personagens diferentes em torno dos testemunhos que chegaram até nós. Em torno de Alexandre, há todo um ciclo lendário", explica o professor José Guimarães.
"Ao lado do gesto bárbaro de quem mandou incendiar Persépolis, ele mandou prestar grandes homenagens ao rei (Dario, da Pérsia, grande oponente de Alexandre em sua busca pela conquista da Pérsia, que veio a ser assassinado por seus próprios aliados) e assumir o trono persa. Depois disso, iria se casar com uma das filhas de Dario e fez questão que o assassino fosse encontrado, punido e executado", pondera, por sua parte, Cerqueira.
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Sexualidade
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O filme Alexandre, do diretor Oliver Stone, chegou aos cinemas provocando grande polêmica, principalmente em razão de como é tratada a sexualidade de Alexandre, O Grande. Na superprodução, o conquistador mantém um relacionamento muito íntimo com seu grande amigo de infância, Hefestion, além de serem sugeridas outras experiências homosexuais, tanto de Alexandre quanto de companheiros seus.
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Mas o que há de verdade nessa abordagem sobre a eventual homossexualidade do personagem?
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"O que eu acho importante lembrar é que existe uma historicidade dessas fronteiras. O que é o que a gente chama hoje de másculo, não no sentido biológico, mas no sentido cultural, mudou. E na cultura grega clássica, havia um grande espaço para práticas homossexuais, que faziam parte do processo de iniciação guerreira de jovens. Jovens se iniciavam tendo relações sexuais com outros jovens soldados, jovens oblitas, ou jovens cavalheiros, o que era visto como algo completamente separado da vida conjugal e sexual que eles tinham nos seus casamentos. Não era algo que entrava em conflito ou em contraste com isso. Na cultura helênica, em geral, existiam certas práticas homossexuais, sobretudo pelo sexo masculino, que eram aceitas socialmente e institucionalmente. O cristianismo, bem mais tarde, é que vai moralizar um pouco e tentar excluir isso", lembra José Guimarães.
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Em busca do mito de inspiração de Alexandre
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Indícios históricos apontam um grande fascínio de Alexandre pelos mitos gregos, sendo Aquiles, o grande herói grego da Guerra de Tróia, um de seus modelos. (...)
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PS do Marte: O herói do evangélico é Jesus. Pra mim Jesus é Alexandre. Cada um elege seu messias, sua figura religiosa libertadora. É Aquiles no céu e Alexandre na terra. Com direito a oração e tudo.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

As asas.

"A gente sempre destrói aquilo que ama. Em campo aberto ou em uma emboscada. Alguns com a leveza do carinho, outros com a dureza da palavra. Os covardes destroem com um beijo, os valentes com uma espada."
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(Oscar Wilde)
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Quem quer que ame deve lidar com destruição e culpa.
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E saber quando já teve o suficiente disso.
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A hora de parar. A hora de tentar.
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A hora de esperar.
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Se você erra seu tempo, você se fode. E fode os outros.
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Cada um de nós morre inevitavelmente sozinho, mesmo no meio de uma multidão.
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Então cada um de nós precisa escolher. E assumir sua escolha.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Burros.

Minha homenagem aos Dominadores que "são machistas mesmo e foda-se".
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Porque usar sexo para legitimar sua pequeneza intelectual é fraqueza.
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Declarar-se machista é um ato infantil.
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É como chupar o próprio pau.
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Toda vez que você for bancar o machistinha você se lembra dessa imagem.
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Você não é o garanhão, amigo fodão.
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Apesar de você também usar ferraduras...
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Você é o Burro.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Ter vergonha da Dominação Masculina?


É sobre des-politização do sexo. E politização da discussão dos direitos.
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Vou tentar dar um exemplo perigoso. Quero que se lembrem que eu realmente faço a maior defesa das minorias, que estou do lado dos oprimidos, do ponto de vista da escolha política.
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Imagine uma mulher liberta, cabeça aberta e feliz, defensora dos direitos das minorias, talvez até uma militante.
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Só que daí ela (que não tem culpa de sua sexualidade; não escolheu); morre de tesão pela idéia do "negro rude". Ela gozando, como naquele filme, dizendo: Me fode, negro; me fode negro.
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Ela deveria se sentir mal? Ela não escolheu, mas a mera menção da idéia a desperta sexualmente e ela fica louca. O que fazer com uma contradição dessas?
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Não é claro que a tara dela se baseia em racismo, na idéia escrota de que negros são máquinas de sexo? De que são rudes, braçais, pouco educados?
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Sabemos como caras libertários que isso tudo é produto de uma sacanagem histórica contra os negros, que são oprimidos e sacaneados por ricos brancos por toda a história (e ainda hoje, chacinados em favelas, maioria carcerária, renda menor, o racismo tá aí). Sabemos que a loirinha sente tesão a partir da percepção do racismo a que foi exposta. É assim que essa mulher hipotética lida com o trauma do racismo.
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Como condenar a loirinha se ela nos afirma que tesão não se escolhe? Devemos imputar essa culpa racista a ela?
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Em sua defesa ela diria que no campo das relações e dos direitos ela não discrimina negros, que acredita em acabar com o racismo e o reconhece, que é parceira do movimento negro. Só que não tem jeito; ela vê um negro e fica molhada com a idéia de que ele vai pegar ela forte. A gente tem que tomar muito, muito cuidado pra não criminalizar as sexualidades. Já pensou o quanto essa mulher hipotética tende a sentir-se mal com seu sexo, culpada, deprimida?
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Talvez o que realmente importe pros negros em geral seja a discussão dos direitos muito mais do que como a loirinha faz na cama.
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O tesão dela adquiriu um componente do trauma que ela teve com o racismo, no choque com seu meio social. Ela não decidiu ser assim. Ficou impresso em sua sexualidade, só. Do mesmo jeito que ninguém escolhe se vai gostar de homem ou de mulher. Acontece.
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E porque eu estou dizendo isso tudo?
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Porque com a Dominação Masculina acontece a mesma coisa. Realizamos uma vivência quase maldita, socialmente. Contudo demandada pelos dois lados. E feliz.
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Então, assim como a loirinha não precisa ser racista pra viver a sua tara, a gente não precisa ser machista pra cultivar a nossa. Não precisamos ser machistas nos direitos, na sociedade; não precisamos chegar bêbados em casa e bater em nossas mulheres; não precisamos concordar que elas sejam vítimas de crimes sexuais.
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Não precisamos ser opressores, mesmo que esteja impresso em nós uma identidade sexual opressora.
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Sexo não é escolha política. Ser machista é.
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Eu nunca poderia escrever sem algum sarcasmo final, mas meus amigos Dons vão entender que sou um espírito brincalhão.
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As loirinhas com fixação em negros são os Dons, nesse texto. A tara maldita é patriarcal ao invés de racial. Uma boa analogia.
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E os Dons quando são bons são formais, ficam na deles. Mas há contradições e dores só nossas nesse negócio de ser Dom. A submissa tem seus desafios e suas fraquezas; nós não temos apenas os desafios da condução. Nós também temos fraquezas.
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É como se você tivesse que olhar pra dentro de você todo dia e se perguntar se sua sexualidade não é um absurdo e você tornou-se as coisas que pretende destruir.
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Por isso é que a gente tem que se aceitar; des-politizar o sexo. Tratar a liberdade pra além da anatomia, reconhecer a legitimidade do outro, seus traumas e construções de pessoalidade. Aceitar que no meio do horror social forja-se uma experiência pessoal de sexualidade e que é legítimo buscar ser feliz desde que você não agrida ninguém.
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Nem sempre essa tal liberdade é um valor burguês. Ela também é um pilar anarco fundamental. Qual nosso direito de patrulhar a escolha pessoal do outro, mesmo admitindo que ela pode ser "violência livremente elegida por nós"?

Parar de condenar as características que não são escolhidas: a raça ou a identidade sexual. E estar em níveis sm de necessidade de transferência de poder para obtenção de prazer constitui uma identidade sexual específica, segundo acredito. Punir alguém por sua identidade sexual é massacre emocional feito em nome de um falso bem. Despolitizar o sexo é crucial pra possibilitar realizações afetivas sinceras, onde cada um traga sua sexualidade honestamente para a relação, sem recalques.
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E politizar a escolha política. Ser implacável com o machismo. Lutar pela igualdade de direitos, lutar ao lado do que é certo.
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Mas não precisamos deixar de ser Leões. E Leões podem ser valiosos na luta pelos direitos das mulheres.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

A Fiel.

Tive orgulho de você.
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Rute 1:16,17
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"...porque aonde quer que tu fores irei eu, e onde quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus;
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Onde quer que morreres morrerei eu, e ali serei sepultada. Faça-me assim o SENHOR, e outro tanto, se outra coisa que não seja a morte me separar de ti."
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sábado, 31 de janeiro de 2009

Um bom acordo.

Que tipo de acordo um Dom e uma Switcher podem fazer para que ambos se divirtam?
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Me ocorre que há poucas coisas mais nobres do que uma Casa que possua como arauto uma vilã feroz. Uma guardiã. É como aquela história nerd dos Sith, de que nunca há apenas um.
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Uma imagem bonita.
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Eu tive uma releitura louca e inexequível sobre a relação de Marte e Minerva. Em que pese ele amar profundamente Afrodite e as ninfas, seu recalque era a deusa que nasceu marchando. O ataque frontal a todo recalque é fundamental pra gente ser corajoso. O recalque de Ares era, sem dúvida, Athena.
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Posto que uma Switcher teria na sua lealdade seu prazer, é justo que ela possa ter as chaves do calabouço e cuidar dos anjos. Um bom acordo, leal.
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Sexo pode ser bastante divertido. Especialmente se você mantém a mente aberta.
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Bingo. Achei outra imagem poderosa. O arauto.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

O Comunista apóia o ACM.

Contextualizando, o ACM é um cara do sm que está sendo perseguido pela Globo porque a empresa não aceita a vinculação da imagem de suas marcas (ops...pessoas) com amarrações e bondagismo. O ACM divulgou em seu blog imagens que sugerem isso. É um blog de conteúdo erótico e o sujeito foi censurado; a Globo agiu no sentido de proibir a veiculação, até onde entendi. Ou seja, é a Globo perseguindo um blogueiro. Essa é a imagem.
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Uma posição absolutamente compreensível em se tratando dessa nobre emissora.
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Vou publicar a carta do cara. Me solidarizei.
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"Queridos/amigos/as,
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Em primeiro lugar, agradeço o seu apoio pessoal e de todas as pessoas que dispuseram-se a ajudar-me.
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O que está acontencendo é fato, toda a imprensa sensacionalista resolveu atacar meu site e meu blog, com perguntas agressivas cheias de mentiras e afirmações preconceituosas.
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A modelo Mel supostamente comparada com a Priscila Pires que faz parte do big brother, vem sendo alvo de críticas e insinuações maldosas quando inventam que o Bound Brazil realiza produções pornográficas e, ainda, incentiva a prática de prostituição.
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Na verdade, toda essa polêmica coloca um fetiche de bondage que sequer expõe nudismo nas fotos e videos em uma evidência a qual não gostaria de estar relacionado, e por mais que se tente explicar a essas pessoas desprovidas de caráter e cultura, a intriga e a calúnia saem sempre em suas manchetes.
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O pior é que não se trata de simples blogues pessoais, mas sites oficiais como o EGO, o VIRGULA e tantos outros, que a todo momento espalham essa notícia da forma que lhes é conveniente, sem publicar a versão do proprietário das fotos, o Bound Brazil. Desrespeitam a lei do "copyright" publicando material que não lhes pertence.
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Com receio, diversas modelos que fotografam para o site partiram em debandada para evitar ter a privacidade exposta por esses abutres que se consideram caçadores de notícias de pseudas celebridades, e isso, acarreta um prejuízo incontável fazendo com que um trabalho com custo elevado e extremamente meticuloso corra o risco de desaparecer.
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Mas essa saga não para por aí e sem o menor sentido compara práticas fetichistas no Brasil com pornografia e prostituição.
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Pergunto: onde isso vai parar?
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Tenho lutado com as armas que tenho e através do meu blog que conta com mais de 50.000 acessos, exponho matérias que são rebatidas por eles, através da vigilância diária em tudo que é publicado por mim.
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A modelo Mel teve as fotos retiradas do site para evitar esse assédio inoportuno, juntamente com o perfil de cada modelo do site, evitando que ficassem expostas a esses ataques sendo chamadas de prostitutas.
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Mas meu site segue no ar, com os inúmeros assinantes e as atualizações não param, apesar dessa caçada imbecíl desses predadores da sociedade.
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Todo o barulho é importante, o protesto, comentários nessas matérias ridiculas para mostrar a eles que existimos, que somos uma parte da sociedade que não se interessa pelos reality shows, mas que está vigilante quanto ao que é comentado sobre nossas práticas.
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Eles apagam os recados que deixo, mas se muitos o fizerem chegará o momento em que será impossível borrar uma mensagem coletiva.Bom, toda a ajuda é válida.
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Se mais pessoas se juntarem deixo aqui meu muito obrigado a todos, mesmo que seja somente pelo pensamento positivo para que essa onda passe e tudo volte ao normal.
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Só peço que essa gente me deixe em paz, e saiam do meu site e do meu blog onde nunca foram convidados a entrar.
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Janeiro de 2009, ACM"

------------------------"Globo e você, tudo a ver."
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Para ajudar o departamento de relação com o cliente da emissora, aproveito para disponibilizar links para o documentário feito pela BBC, em 4 episódios, exibido na Inglaterra em 1993, que conta a bela saga dessa empresa que nos brinda com "as meninas do Jô", "Malhação", "Big Brother" e tantas outras atrações cruciais para que sejamos gado.

Possivelmente você não soubesse que há um documentário, um produto jornalístico, mostrando a história da Globo como farsa. É porque eles escondem essa produção. Assista, você vai ficar impressionado.


Internet é ótimo. Qualquer um pode ver o documentário, por mais esforço que se faça para fingir que ele não existe.

Viva aos meios de comunicação.
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http://www.celsojunior.net/blog/2007/02/22/bbc-confirma-a-rede-globo-manipula-o-telespectador/
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Na briga entre a Globo e o ACM, eu sou ACM desde criancinha.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

O poder da gravata.

Porquê algumas mulheres tem fetiche por homem de terno e gravata?
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Todos sabemos que é uma associação com a idéia de poder. O chefe usa gravata.
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É porque a gravata é um símbolo fálico e também é por isso que ela é uma peça do vestuário masculino, apenas. O talleiur é criado dispensando a gravata. Lógico.
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Quer dizer, até o dia em que a pós-modernidade propuser a subversão e a desconstrução desse conceito. Já deve estar acontecendo em algum lugar da moda, se não me falhar o faro para as sacanagens que essa turma apronta com as identidades. Um dia eles vão lançar calcinha para o homem moderno metrossexual e vai ser um sucesso de vendas moderninho e descolado.
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Particularmente não gosto de gravata, mas vale a menção de que os homens de poder de nossa sociedade andam com um pau no peito, à mostra. Um sinal subliminar de autoridade fálica. Símbolos. É por isso que gravata curta demais passa a impressão do ridículo, do incompetente e longa demais de exagero, de palhaço que se exibe. É por isso que quando toca o hino nacional, todo mundo fica de pé e abotoa o terno; pra esconder, em sinal de respeito patriótico, o seu pau. Sacou?
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Se eu fosse um historiador da moda eu diria que as gravatas estão com os dias contados. Vai acabar, como acabaram a cartola e a bengala; peças do vestuário que a gente discute outro dia, respectivamente, a altura e o cetro.
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O drama da moda feminina é a inexistência da gravata, diria Freud.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Mulher trai menos que homem!

Estava sem fazer nada e resolvi decepcionar todos vocês escrevendo um conto.
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"A boa samaritana"
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O coração de Bia batia forte. Estava trêmula, uma mistura de ódio, repulsa e algum outro sentimento que ela não identificava corretamente, mas que não a deixava pensar em outra coisa. .
Como ele ousava lhe fazer uma proposta daquelas? Quem ele pensava que ela era? Iria contar tudo a Roberto quando ele chegasse. Ah se ia. E aí aquele calhorda ia ver só.
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Bateu forte a porta de casa atrás de si. Ainda faltavam duas horas até Roberto chegar do trabalho depois de pegar as crianças. Era esperar e contar tudo. Ele ia ficar furioso, com certeza. Esse cretino ia se arrepender de ter mexido com uma mulher séria, uma mulher direita.
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Amassou o pequeno papel contra o peito, ruminando ódio. Tentava pensar em outra coisa, mas não conseguia. Sentia um calor forte, daqueles que tinha quando ficava vermelha de raiva, mas era diferente dessa vez. Fez menção de rasgar o pequeno bilhete, mas parou a tempo: e se Roberto não acreditasse em sua simples palavra? Não, o bilhete daquele calhorda devia ser mostrado intacto. Era uma prova da desfaçatez do sujeito.
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Jogou o pequeno papel em cima da mesa. Depois voltou atrás e o colocou em cima da geladeira, sob o jarro de flores. Um dos meninos podia pegar aquele papel imundo antes que ela pudesse mostrar a Roberto.
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Ligou a televisão para esperar a chegada do marido. Sentou no sofá por algum tempo enquanto a TV zumbia qualquer assunto que ela não conseguiu prestar a menor atenção. Foi até a cozinha, abriu a geladeira e bebeu água. Ela não havia notado que suas pernas tremiam. Era o ódio em forma de tremedeira. Esse sujeitinho ia ver só.
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Daniel via Roberto todos os dias no trabalho. Todos os dias! Como podia ter escrito aquilo para ela? Mau amigo, hipócrita, mentiroso, cretino.
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Safado.
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“Bia;
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Vão cortar gente na empresa, como você sabe. O Roberto está na minha lista.
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Se você me visitar terça, posso mudar isso. Ligue pra marcar uma hora.
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Daniel – 76548712”
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Um bilhete safado de três linhas. Leu mais uma vez. Revoltada. Porque lia e relia um bilhete de três linhas, afinal? Sentiu-se um pouco ridícula por estar tão incomodada. Amassou o papel de novo e o guardou em cima da estante, dessa vez.
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Que audácia! Que canalha! Escreveu de próprio punho e assinou. Louco. Podia dar até processo. Mas isso, sabia ela e sabia o canalha, exporia para sempre Roberto. Ela tinha uma família, uma reputação a zelar. Ir à justiça contra o assédio possivelmente geraria comentários de que era uma mulher infiel, qualquer um acharia essa história muito estranha. Quem ia acreditar em um assédio assim, do nada? Bia odiou o machismo do mundo com todas as suas forças: só porque era mulher alguém veria culpa nela, de algum modo.
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Roberto saberia o que fazer, que fosse um processo ou uma bela surra naquele sem vergonha. Era só esperar ele chegar. E no bilhete Daniel ainda dava uma ordem: “Ligue pra marcar uma hora”. Filho da puta.
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O calor não passava. Mas aos poucos foi ficando mais calma, a fúria se transformando em asco e desconforto. E leu o bilhete mais algumas vezes, sempre reforçando seu próprio nojo diante daquela proposta suja. Ela era uma mulher casada na igreja, com filhos. Um desrespeito vindo de um verdadeiro crápula. O choque com a imundície daquele papel não passava.
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A demissão de Roberto não significava nada diante de seu amor, de seus filhos, de seu casamento. Ela sequer cogitava a hipótese de ceder, só lhe subia um ódio incontrolável por Daniel. Crápula manipulador. Sujeitinho. Se valendo do cargo para comer a mulher do amigo. Filho da puta.
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Bebeu mais água e colocou o bilhete no bolso: era mais seguro. E esperou Roberto, e as crianças. Imaginou sua reação diante do fato e ponderou que isso bem podia acabar em tragédia. Na verdade ela secretamente desejou que Roberto tivesse uma reação assim, mesmo sendo uma mulher pacata. Seu maior medo era de que ele reagisse civilizadamente e não a defendesse com unhas e dentes e força bruta, se necessário.
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E se Roberto, ao ver aquela injúria, simplesmente resolvesse pedir demissão e não arrebentasse a cara daquele filho da puta que tinha vindo mexer com a mulher dele? No fundo, ela percebeu, se sentiria pouco amada. Ao mesmo tempo não desejava tragédia nenhuma. Bia descobriu que incômodo é pior que ódio, porque o ódio se define claramente pra gente: o incômodo não; é pastoso, indefinido, a gente não sabe porque não consegue pensar em outra coisa.
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Ponderou que Roberto perder o emprego, demitido ou pedindo demissão era por si só uma tragédia. Teve ainda mais ódio de Daniel por colocá-la numa situação daquelas: agora o mínimo era que Roberto não trabalhasse mais em um lugar onde teria como chefe alguém que mandava bilhetes para sua mulher. Daniel não deixava outra saída senão a demissão de Roberto, e somada a uma mágoa, ainda. Cretino.
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Ele não tinha esse direito. Ele havia tomado uma liberdade que não era sua. Ele havia incomodado a paz de uma mulher fiel. Ele ia ver só quando Roberto chegasse. Ele ia arrebentar a cara desse pervertido. Safado.
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As crianças chegaram fazendo algazarra e Roberto trouxe compras. Ela tentou disfarçar durante algum tempo seu desconforto e Roberto disse:
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“As coisas estão difíceis na empresa. É essa tal crise mundial. Eles vão demitir gente, mas o Daniel me garantiu que meu trabalho é importante pro setor dele, acho que vai dar tudo certo.”
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“O Daniel não presta.” – Respondeu secamente, enquanto amassava o bilhete no bolso, com a mão suada.
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“Que maluquice, Bia, na comemoração de fim de ano vocês pareceram se dar tão bem...ué, você não fez o jantar hoje, querida?” – Roberto fuçava as panelas com sua fome habitual – “Pensei que era na terça que íamos levar os meninos no Mc’Donnalds...”
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Depois de uma pausa, Bia viu-se respondendo algo impensável.
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“Não, Roberto. Vamos hoje, terça eu vou estar ocupada, marquei com a Claudinha, a gente não se vê tem tempo.”
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“Podia ter me avisado, né Bia? Eu sustento essa família mas nessa casa parece que sempre eu sou o ultimo a saber de tudo.”
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“É, Roberto. Chama os meninos pra gente ir.” – disse Bia, suspirando conformada diante de sua escolha.
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E duas semanas depois Roberto foi demitido, de qualquer forma.
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Mas ninguém chorou como Bia.
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Filho da puta.
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terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Adeus Bush.

Doente, Fidel escreve a Bush, pouco antes da troca da presidência.
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"Companheiro Bush;
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Espero que você seja lembrado por gerações por todos os seus atos de bravura e coragem. Que as gerações futuras mencionem seu nome para sempre.
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Porque é frase de Lincoln que para conhecer um homem devemos dar poder a ele. Que sua memória seja eterna e que seus filhos carreguem seu sobrenome, companheiro Bush, onde quer que forem.
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Que seus atos praticados precedam sua prole onde quer que ela vá, até o último dia da terra.
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Que você saiba que sua vitória é completa nesse novo mundo e que homens como eu estão velhos e morrendo.
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Que tua filha saiba que se casará com alguém muito mais parecido com você do que comigo. E que esses serão seus descendentes.
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Que você saiba que seus netos o terão como exemplo ao invés de se espelharem em mim.
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Que tua mulher te olhe nos olhos quando for se deitar com ela.
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Posto que você, certamente, possui grande honra pessoal. E é um exemplo brilhante desse novo tempo.
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E é por isso, que os povos te amam e onde quer que vá tu consegue reunir multidões. Porque és o novo homem desse novo mundo. Você venceu.
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Que os historiadores do futuro te dediquem muitas páginas. Que eles narrem a natureza profunda do teu ser. Que arautos proclamem teus feitos e tuas decisões para sempre. Que sua memória seja eterna. Nunca nos esqueceremos do homem que você foi.
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Desejo que você encontre seus ancestrais na morte, assim como brevemente encontrarei os meus. Que você conte a eles o que fez com o tempo que te foi dado. Eu contarei aos meus como vivi. E porque vivi. Que as almas desses ancestrais te abracem conforme todo o teu merecimento.
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Que Deus o abençoe na justa medida de sua alma. Que sejam feitos poemas narrando exatamente quem você foi. E que sejam poemas eternos.
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Que cada mãe iraquiana te abençoe. Que cada ancião afegão conte aos netos sobre você e o homem que foi. Que cada pessoa o tome como exemplo de acordo com seu mérito, companheiro Bush.
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Que seus feitos sejam louvados para sempre. Que ninguém se esqueça de ti.
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Nós, heróis que sucumbimos um a um nesse novo tempo, te saudamos.
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Como Alexandre saudou as mulheres do harém de Dario, o Rei da Àsia que fugia para não ser morto.
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Eu, Aquiles, Saladino e cada herói; te saudamos por tudo quanto és. Que você esteja para sempre ao nosso lado na história para que te façam imortal nas comparações.
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Te saudamos, companheiro Bush.
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Que te saúdem os jornalistas com sapatos e os historiadores com a caneta. Por toda a eternidade.
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Viva eternamente no coração dos povos o legado que plantaste. Vive com teu legado. Vive para sempre.
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Do seu amigo, fraco, doente e no leito de morte
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mas ainda assim sorrindo;
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Fidel"
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A Pós-Modernidade tem os heróis que merece ter.
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Nem mais, nem menos.
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